TUDO O ELEVA A DEUS

Nas excursões apostólicas ou nas visitas aos retiros, tudo o que se lhe deparava pelas estradas eram outras tantas vozes a convidá-lo a amar o Criador. À vista das flores, dos prados e campinas, comovia-se deveras; inflamava-se-lhe o rosto e, ao ouvir sues secretos cânticos de amor, tocava-as com o bastão e lhes dizia

“ Calai-vos, calai-vos... ”

Aconselhava a um religioso:

“ Se fores ao jardim contemplar as flores, interroga a uma delas: Quem és tu? A resposta não será: sou uma flor, mas: - EGO VOX, sou um pregador. Eu prego o poder, a sabedoria, a bondade, a magnificência do nosso grande Deus. - Reflete nessa resposta, abisma-te, compenetra-te, embebe-te de todo nela ” .

Os fiéis de Fabiano, onde o santo pregara missão, acompanharam-no até bem longe da cidade. Estava o servo de Deus santamente alegre. Ao chegarem ao lugar denominado CINQUE QUERCIE, dando com avista naquelas campinas em flor, prorrompeu nestas expressões:

“ Ó grande Deus! Ó grandeza de Deus!....”

E, com os braços estendidos elevou-se aos ares, com verdadeiro assombro dos espectadores. Passados instantes, voltou a si, continuando a falar-lhes com toda a naturalidade.

Em viagem para o retiro de Santo Eutízio, voltou-se de repente para o companheiro e o interrogou:

“ A quem pertencem estes campos? ”

“ São os campos de Gallese ” ,

respondeu o religioso.

Insistiu o santo:

“ A quem pertencem estes campos? ”

Não obtendo resposta, com o rosto resplandecente, continuou.

“ A quem pertencem estes campos? Ah! ainda não me compreendeste?... Pertencem ao nosso grande Deus... ”

E por instantes voou por sobre aquelas campinas!...

De outra feita, ia de Terracina a Ceccano. Em Fossanova deixou a estrada romana para visitar a igreja e o convento onde falecera o angélico doutor santo Tomás de Aquino. Enveredando por um trilho, pôs-se a exclamar, com extraordinário ardor:

“ Ah! não ouves estas árvores e folhas clamarem: Amai a Deus? Amai a Deus?!... ”

Do rosto dardejavam-lhe raios de luz. E prosseguia:

“ E' impossível não amar a Deus! ”

Dir-se-ia quisesse abrasar o coração do companheiro com as chamas do próprio coração. Ao retornar à estrada, repetia a todos que encontrava:

“ Irmãos meus, amai a Deus, amai a Deus, que tanto merece ser amado. Não ouvis as folhas das árvores bradarem: Amai a Deus? Oh! amai a Deus, amai a Deus! ”

O religioso e os desconhecidos choravam e, soluçavam ao ouvir elas palavras de fogo.

Celeste embriaguez, loucura do santo amor. que só ao amor é dado compreender! Martírio de inefáveis delicias no desterro desta vida! Antegozo da felicidade eterna, reservado a este serafim de amor!...

Das culminâncias da santidade divisava o nosso santo, nas belezas das criaturas, o reflexo da divina formosura; esse harmonioso concerto de amor alteava-o à fonte eterna da harmonia e da beleza.