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Paulo, setuagenário, terminará em breve a longa carreira apostólica, conservando, para o
resto da existência, as nobres cicatrizes das mortificações e sofrimento. Só por graves
enfermidades suspendia os ministérios apostólicos.
Consideremos em conjunto esse admirável apostolado.
Foi a Itália o teatro de seus labores. Percorreu-a pregando missões e retiros espirituais ao
clero e às comunidades femininas.
Qual a origem desse apostolado, admiração de todos, inclusive dos Soberanos Pontífices?
Vejamo-lo.
Paulo, num ímpeto de fervor, suplicou a Jesus Crucificado a conversão de todos os
pecadores, por quem o Redentor derramara seu preciosíssimo Sangue. Depois contemplou a
própria alma e exclamou
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“
Ali! eu peço pelos outros, quando minha alma está no mais profundo do inferno!
”
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Jesus
respondeu-lhe com inefável ternura.
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“
Tua alma repousa no meu Coração
”
.
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Eis a origem do apostolado de Paulo da Cruz: o Coração de Jesus.
Nesse santuário o santo vivia a mesma vida de Deus: seus pensamentos e afetos eram os
pensamentos e afetos do divino Redentor, seu zelo pela salvação das almas se inflamava no
zelo que levara Jesus ao Calvário, à. Cruz, à Morte. A caridade de N. Senhor abrasou o
universo; Paulo quisera abrasar o inundo todo.
No horto das Oliveiras, Jesus, à vista dos pecados da humanidade, suou sangue e entrou em
agonia; ao considerar a inutilidade do Sangue divino para tantas almas, Paulo, de mil modos
diversos, arrancava de suas veias o sangue generoso,
|
“
para completar na própria carne, o
que faltava à Paixão de Cristo
”
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(Col. 1.24). Pálido, desfigurado, abatido, em angústias
mortais, parecia prestes a exalar o último suspiro. Sussurrava, apenas:
- Ah! um Deus Crucificado!... Um Deus morto!... ó caridade... ó prodígio de amor!... Ó
criaturas ingratas! Até as pedra. choram!... Como?! Morreu o Soberano Sacerdote, e nós não
choramos? Só mesmo tendo perdido a fé para não desfazer em lágrimas. Ó meu Deus!...
Muitas vezes, ao contemplar N. Senhor na Cruz, pedia-lhe, suplicava-lhe a graça de morrer
crucificado. Em parte Jesus o contentou, pois esteve quase sempre a agonizar na Cruz dos
sofrimentos.
Nos divinos ardores do Coração de Jesus, perpétua morada de sua alma, consumia-se no
desejo de cooperar com Ele na destruição do pecado e no resgate das almas imortais. Essa a
sua missão
Acolheu-o, certo dia. o divino Mestre na chaga adorável de seu Coração, inundou-o de luz e
descobriu-lhe a maldade do pecado, inflamando-o de ardentíssimo zelo.
Eis o segredo de seu maravilhoso apostolado; eis o incentivo dessa luta sem tréguas ao
pecado, ao mundo e a Satanás.
Sempre de armas na mão, arrancou inúmeras almas ao inferno, atacou impiedosamente o
inimigo da salvação, conquistando imortais vitórias para a Cruz de Cristo.
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