CRUCIFICADO COM CRISTO

Nada mais eficaz que o apostolado do sofrimento. Paulo, vítima de amor e expiação pelos pecados da terra, repitamo-lo, viveu perenemente crucificado.

Antes da aprovação das Regras alimentava-se exclusivamente de legumes e pão, bebendo apenas água. Uma vez por outra, quando em casa dos benfeitores, acrescentava, sempre por obediência, algumas gotas de vinho. Qualquer alimento saboroso tirava-lhe o apetite. Nada tornava fora das refeições.

Após os sermões ou depois de muitas horas de confissão, mitigava a sede aos pés de Jesus Sacramentado. Costumava dizer

“ Ó bom Jesus! Vós dissestes: Quem tem sede venha a mim e eu o saciarei (Jo. 7,37). Saciai-me, portanto. E, em verdade, em verdade, Jesus me saciava... Disse-me um médico que, em consciência, eu deveria beber alguma coisa depois das práticas, pois a ardente sede poderia causar-me febre maligna. Ah! esse médico me arruinou. Paciência. ”

Não irei repetir que Paulo dormia sobre o pavimento desnudo, depois de passar parte da noite a orar, de joelho, afugentando o sono com aspérrimas penitências. Direi apenas que a simples vista dos instrumentos usados por ele (muitos se conservam como relíquias) causam horror.

Além da disciplina conservada em Gaeta, ha uma outra terminada em bolas de chumbo, eriçadas de pontas de ferro. Um coração e um cilicio igualmente de ferro, terminados em agudas pontas; duas correntes, cujas extremidades são estrelas e grampos. Em Santo Anjo conserva-se uma cruz de madeira, com cento e oitenta e seis pontas de ferro, que Paulo trazia sobre o peito!

Açoitava-se, sobretudo nas missões, com uma corrente formada de vários anéis de ferro. O auditório, à vista do sangue abundante, prorrompia em brados de compaixão. Um dos assistentes subiu, certa vez, ao púlpito, sem que o servo de Deus o percebesse, para arrancar-lhe das mãos o instrumento, verificando como era forte o braço do santo, pois recebeu tão violento golpe, que lhe quebrou o braço!. Paulo curou-o com o sinal da Cruz.

Mais tarde, sabendo que os religiosos do retiro da Apresentação conservavam essa corrente, lançou-a numa cloaca, dizendo:

“ Já que me aleijaste para o resto da vida, não quero que aleijes a outrem ” .

Nos últimos anos, disciplinava-se, nas missões, com instrumento formado de cinco chapas de aço, afiadas nas extremidades como navalha.

Algumas vezes, particularmente quando pregava sobre o inferno, apresentava-se trazendo uma corda ao pescoço e uma coroa de espinhos tão calcada na cabeça que o sangue lhe banhava todo o rosto!.

Acrescentemos as freqüentes viagens, sempre a pé, descalço, a cabeça descoberta, revestido de simples túnica, assim no verão como no inverno. E as enfermidades, companheiras inseparáveis do Servo de Deus?

Em viagem para Farnese, onde ia pregar missão com o pe. João, Batista, pediu a um senhor que encontrara no caminho fosse à frente anunciar ao pároco sua próxima chegada. Eis as palavras do mensageiro:

“ Para um dos missionários, pode v. revma. preparar um ataúde, porque tem mais aparência de morto que de vivo ” .

Para comunicar-lhe o poder e fecundidade da Redenção, N. Senhor, por vezes, o abandonava ao furar de sataniza, como fizera com seu divino Filho na Paixão.