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Sua eloquência, aurida no Calvário, produzia incalculáveis frutos de salvação. Os pecadores
interrompiam-lhe freqüentemente os sermões com soluços e gemidos, ferindo o peito e
confessando as próprias culpas em altos brados. O missionário ia buscá-los até nos braços
de Satanás.
Todos desejavam ouvi-lo e confessar-se com ele, porque a todos prodigalizava terníssima
caridade. Como bondoso médico, cuidava de todos, mas de modo particular dos mais
enfermos. Costumava dizer serem os ladrões seus melhores amigos. Como os amava! Estes,
convencidos de que Paulo os estimava, afeiçoavam-se-lhe extraordinariamente.
Doçura e insinuação eram as armas usadas pelo santo para ganhá-los a Deus. Tomava parte
em suas penas. Abraçava-os e os acariciava. Numa palavra, fazia-lhe, de pai, a fim de
libertá-los das cadeias do pecado. Para significar que alguém era grande pecador, soíam
dizer
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“
Para ti só o pe. Paulo
”
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Fora mister grossos volumes para referir as admiráveis conversões de bandidos, operadas
por Deus nos ministérios de seu apóstolo.
Já referimos algumas; relataremos outras no capitulo seguinte.
Inspirava-lhes confiança na misericórdia de Deus:
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“
Coragem, meus filhos. Não vos inquieteis. Eu tomo sobre mim os pecados cometidos até
este momento. Cuidai do futuro; do passado eu me encarrego
”
.
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A este propósito, quis o demônio perturbá-lo. Estando em oração diante do SS. Sacramento,
sugeriu-lhe esta reflexão:
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“
Miserável! tomaste sobre ti os pecados de outrem! Recordá-los-ei no dia do juízo
”
.
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O santo, lembrando-se de que Jesus é a Vítima de propiciação pelos nossos pecados, lançou
sobre Ele essas faltas, dizendo lhe com simplicidade filial:
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“
Senhor, sobrecarreguei-me de pecados alheios por vosso amor. Tomai-os, pois eu os
descarrego em vás...
”
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e fez o movimento dos ombros como quando alguém descarrega um
peso. Assim recobrou a paz.
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