O SALTEADOR DE MAGLIANO

Eis mais um fato em que resplandece a misericórdia divina.

Famoso salteador jurara assassinar um senhor de Orbetello. Paulo deliberou ir ter com o temível bandido. Em vão quiseram demovê-lo do intento. Armado do Crucifixo, encaminhou-se ao esconderijo do facínora. Encontrou um homem armado dos pés à cabeça e perguntou lhe se era fulano de tal...

“ Sou ” ,

respondeu-lhe este com ar ameaçador. Paulo ergueu a Cruz, ajoelhou-se e exclamou:

“ Vim expressamente para solicitar-lhe um favor em nome de Jesus Cristo e não voltarei sem havê-lo conseguido ” .

“ Que é o que deseja? ”

“ Que perdoe à tal pessoa, pondo fim a seus temores ” .

Tanta doçura triunfou da fereza cruel:

“ Ah! Padre! balbuciou o vencido da graça, levante-se, pois não posso negar o que me pede. Somente o senhor poderia consegui-lo. Sim, perdôo-o de todo o coração ” .

A pedido de Paulo firmou um documento em que declarava perdoar a quem até então perseguira de morte. Notando as boas disposições do facínora, falou-lhe, com a habitual bondade, de Jesus, cujos braços abertos anelavam por apertá-lo ao Coração.

Novo triunfo da Cruz. Confessou-se não somente o bandido, mas todos os seus cúmplices, e perseveraram nos bons propósitos.

Que alegria a daquela pobre gente! Que júbilo, sobretudo, para o coração do apóstolo!

Como tardasse a voltar, preocupavam-se os de Orbetello. Com seu regresso, geral foi o contentamento, notadamente do pobre homem a quem Paulo salvara a vida.