HÁ DOZE ANOS NÃO ME CONFESSO

O santo costumava dizer:

“ A brandura atrai, o rigor afasta ” .

E aduzia o fato seguinte. Numa missão, dissera-lhe uni pecador:

“ Padre, confesse-me, pois faz doze anos que me não confesso... ”

Notando no penitente, depois da confissão, insólita alegria, perguntou-lhe porque se privara por tanto tempo dessa felicidade. Disse-lhe aquele senhor:

“ Padre Paulo, fui um dia confessar-me. O sacerdote repreendeu-me asperamente, expulsou-me do confessionário, bradando: - Retira-te daqui, pois estás condenado... - Atemorizado, nunca mais me atrevi a confessar-me ” .

Anos depois, esse convertido, encontrando-se com o santo, beijou-lhe as mãos, dizendo-lhe:

“ Padre Paulo, desde que me confessei com v. revma., com a graça de Deus, não mais cai em pecado grave ” .

Que poder não encerra a doçura!...

Poderíamos referir numerosas e admiráveis conversões de mulheres de má vida. Quantas vezes essas míseras, tocadas pelas palavras do santo, interromperam-lhe o sermão, com exclamar

“ Ai de mim! infeliz pecadora...! Perdão! Perdão, pelos escândalos que dei! ” .

Ante cenas tão edificantes, gerais eram a comoção, os soluços e os gemidos.

Narremos o fato de uma jovem cega de Orbetello.

Cegara de repente, havia oito meses. Persuadira-a o demônio de que Deus a abandonara e que, para recuperar a paz e a tranqüilidade, devia deixar os exercícios de piedade. Pobre jovem! Sucumbira à ilusão, julgando que somente a desconfiança absoluta fá-la-ia menos infeliz! Com efeito, desde então, não derramara uma lágrima sequer...

Vivia nesse mísero estado havia vários meses, quando lá chegou o pe. Paulo, hospedando-se na casa dos Grazi, seus benfeitores.

Uma irmã da desditosa jovem, certamente por inspiração divina, levou-a ao santo. Após a missa, o serro de Deus, espontaneamente, perguntou pela cega. Ao apresentarem-na, foi-lhe dizendo:

“ Júlia, necessitas duas granas: a luz da alma e a luz dos olho.. Qual a tua preferência? ”

- E, sem dar-lhe tempo para a resposta:

“ Oh! não há dúvida, preferes a vista da alma, não é? ”

E pousou dois dedos nos olhos da cega.

“ Estes dois dedos acabam de tocar grande e santa coisa, O PÃO DOS ANJOS... ”

“ A vista da alma..., exclamou logo Júlia fora de si, a vista da alma ” .

A luz divina iluminara o espirito da donzela. Reconciliou-se com Deus, gozando, desde então, inefável felicidade, como jamais experimentara no pastado.

Como N. penhor Crucificado é infinitamente misericordioso! Vejamos agora o teu infinito poder.