PODER SOBRE OS ELEMENTOS

Satanás não dava tréguas ao servo de Deus. Quando devia ele pregar em campo aberto ou em praças públicas pela grande afluência de fiéis, o que não era raro, o inimigo de todo bem suscitava tempestades. Relatemos o fato seguinte.

O grande missionário pregava numa praça de Santa Flora. O dia era belo. De repente, ouvem-se estampidos de trovões, escurece o céu, a chuva está prestes a cair... O auditório quer dispersar-se.

“ Ninguém se mova, aconselha Paulo, com voz vibrante. Isto é obra do demônio, irritado pelo bem das almas ” .

Abençoa o céu com o Crucifixo. No mesmo instante cai violenta tromba de água, alagando os campos vizinhos, sem cair, contudo, uma só gota na praça.

Inflamado de novo fervor, declarando querer penitenciar-se pelos pecadores, açoita-se com tanta violência, que arrebenta a disciplina. Uma parte voa ao telhado de uma casa vizinha! Tomando, então, da corrente que tinha ao pescoço, continua a flagelar-se até que um sacerdote lhe arrebata das mãos o terrível açoite.

Era assim que o ardoroso atleta de Cristo confundia o inimigo da salvação...

Em viagem para Montalto, surpreendeu-o a noite em meio do caminho. Teve de abrigar-se com o companheiro numa hospedaria. Ao vê-los, proferiu alguém horrível blasfêmia.

Interpelou-o imediatamente o servo de Deus:

“ Traidor, que disseste?... Poderias converter em sangue esta pedra? ”

Bateu com a destra na pedra, levantou-a e... ei-la a verter torrente de sangue!...

A tremer, lançou-se-lhe aos pés o blasfemo, pedindo perdão. No dia seguinte, confessou-se com o servo de Deus, prometendo, sinceramente, jamais blasfemar.

Vejamos agora o poder de Deus no castigar os pecadores renitentes à caridade do missionário.

Em Pitigliano, seis homens, da ínfima camada social, escravos de inomináveis paixões, além de escarnecerem publicamente do pregador, reuniam-se numa farmácia próxima à igreja e, à hora do sermão, batiam fortemente com um malho numa bigorna. Infernal era o barulho. Ninguém podia ouvir a palavra de Deus. Rogado a que cessasse o ruído e fechasse a farmácia durante as funções religiosas, respondeu com insolência o farmacêutico:

“ Que pretensão a desse padre! Diga-lhe que não a fecharei ” .

Os demais alegaram que, estando em casa particular, fariam o que bem lhes parecesse. E continuou o barulho.

Após breve oração, Paulo profetizou:

“ Miserável! Não quer fechar a farmácia? Aberta ela permanecerá, mas não para ele ” .

E prosseguiu:

“ Que tomem cuidado caso contrário haver-se-ão com a cólera de Deus ” .

O escândalo produziu deploráveis efeitos. Muitas pessoas abandonaram a missão. Paulo, aflito, anunciou que o castigo era iminente e terrífico.

O mais culpado entre eles, sofreu a morte abjeta do ímpio Ário; encontraram-lhe o cadáver em lugar imundo. Todos foram castigados com morte infamante.

O farmacêutico experimentou os revezes da fortuna. Reduzido à miséria, perdeu o estabelecimento. Este ficara aberto, mas não para ele. Ademais, toda a população foi castigada com mortífera peste, que ceifou setecentas pessoas! Ai dos apóstolos de Satanás que molestam aos apóstolos de Jesus Cristo!

Em Magliano, seis ou sete pessoas resistiam à graça.

“ Compadeço-me dos que desprezam a divina misericórdia, suspirava Paulo. Cairão sob os golpes da divina justiça! ”

Passados alguns meses, um morreu afogado, outro de uma queda, um terceiro assassinado, todos, enfim, pereceram miseravelmente!

Em Vetralla, uma mulher não queria perdoar grave injúria recebida de outra senhora, não obstante os rogos e as lágrimas desta e os esforços de diversas pessoas enviadas por Paulo. Então, resolve o santo ir pessoalmente à casa da ofendida. Apresenta-lhe o Crucifixo, fala-lhe do perdão outorgado pelo Filho de Deus aos seus crucifixores. Tudo em vão. A resposta era sempre a mesma

“ Não posso, não posso ” .

O servo de Deus, repleto de Espírito Santo, pronuncia então estas terríveis palavras:

“ Já que não podes perdoar por amor de Jesus Cristo, Ele também não te perdoará ” .

Dias após, a infeliz mulher morre repentinamente, tornando-se o seu cadáver tão horrendo, que ninguém podia fitá-lo sem espanto!

A santa missão é, muitas vezes, a última graça reservada aos pecadores!

Em Capálbio, vivia um homem escandalosamente. Paulo empregou todos os meios para arrancá-lo daquelas cadeias criminosas. O pecador fingiu sincero arrependimento, mas, que horror! Na noite seguinte recaiu no pecado. Enchera a medida... Na mesma noite surpreendeu-o a divina justiça...

O acontecimento deu aso a Paulo a que pregasse aquela noite sobre o inferno. A impressão foi profunda....

Se os pecadores impenitentes eram castigados, às almas generosas Deus cumulava de muitas bênçãos.

Acrescentemos aos fatos já narrados, o seguinte, ocorrido em Canepina e em Vallerano ao mesmo tempo.

Os castanheiros não produziram fruto naquele ano. A população, que vivia desse produto, estava consternada. Temendo o santo que esse desassossego obstaculasse os frutos da missão, orava e animava a todos:

“ Convertei-vos, meus irmãos, e eu, da parte de Deus, asseguro-vos abundante colheita ” .

O povo confiou nessas palavras e não foi confundido. N. Senhor lhes recompensou a fé.

Em Arlena, diocese de Montefiascone, uma senhora chamada Jerônima Ricci, havia três anos ficara completamente surda: não ouvia sequer o som dos sinos. O que mais a amargurava era não poder ouvir a palavra do santo missionário. Uma tarde, esporou-o à porta da igreja e, ao passar, cortou-lhe, às escondidas, partezinha da capa, aplicando-a aos ouvidos. Repreendeu-a o homem de Deus severamente

“ Muito bem! Ganhou alguma coisa com isto? ”

“ A felicidade de ouvi-lo ” ,

pôde ela responder, porque recuperara a audição.

Em Orbetello, consumia-se em alta e prolongada febre uma menina de doze anos. Paulo foi visitá-la. Consolou-a, asseverando que seu mal perduraria ainda por muito tempo por ser de grande glória de Deus, mas recuperaria a saúde por um milagre. Quinze anos esteve a pobrezinha entre a vida e a morte. Decorrido esse tempo, voltou o santo a Orbetello, a fim de pregar outra missão. A enferma desejou ouvi-lo, pelo menos uma vez. Para satisfazê-la, os pais carregaram-na à igreja, mas, quase ao findar o sermão, caíu desmaiada. Temeram por sua vida. O santo missionário aproximou-se da moribunda, benzeu-a com o sinal da Cruz e retirou-se.

Prodígio? Instantes após, a menina estava radicalmente curada!

A cidade toda chorou de comoção, vendo-a passar das portas da morte à saúde perfeita.

Viveu ainda muitos anos e pôde narrar o milagre no processo de canonização.