PRUDENTE DIRETOR ESPIRITUAL

Não eram somente as esposas de Cristo, segregadas â sombra dos claustros, que se punham sob a direção do nosso santo. Também as almas que gemem no mundo, quais pombas fora da arca, escolhiam-no por diretor espiritual.

Quantas virgens, viúvas, esposas, cavalheiros, sacerdotes, não inflamou o excelente mestre no santo amor de Deus e não elevou à prática da., mais sublimes virtudes?

Exigia fidelidade aos deveres do próprio estado, mas exigia outrossim que SUA CONVERSAÇÃO ESTIVESSE NO CÉU, com os Anjos, com Deus.

A correspondência epistolar patenteia a extraordinária habilidade que adquirira na ciência dos Santos; ciência haurida aos pés do Crucifixo.

Diretor esclarecido, versado nos grandes místicos, era, sobretudo, homem de oração, tendo por guia, nos caminhos da graça, o divino Espírito Santo.

Com que encanto, doçura e força dissipava os temores e os escrúpulos, soerguia os ânimos, prevenia as ilusões, tirando partido das mesmas faltas, com inspirar a humildade, o desprezo de si, a desconfiança nas próprias forças e confiança ilimitada na misericórdia infinita de N. Senhor.

Quem quiser conhecer são Paulo da Cruz como Diretor espiritual leia o que escreveu o Pe. Caetano do Nome de Maria, C. P., em sua obra Doctrine de St. Paul de Ia Croix sur l'Oraison et la Mystique, chap. I p. 1-12; e St. Paul de la Croix Ap. et Missionaire, p. 187-221. Como Diretor espiritual, são Paulo da Cruz foi definido

“ um digno êmulo de são Francisco de Sales (St. Paul de Ia Croix Ap. Missionaire, p. 187) ” .

Em Vida Sobrenatural, 1927, XIII, 286, lemos que Paulo da Cruz, como Diretor e Mestre de espirito, figura muito bem ao lado de são João da Cruz, de são Pedro de Alcântara e de santa Teresa de Jesus: em seus escritos encontram-se os mais elevados conceitos da Teologia Mística. O Pe. Gubiert, S. J., na Revue d'Ascetique e de Mystique, 1925, p. 26. o coloca ao lado de santo Afonso de Ligório

“ au premier rang des maitres de la vie spirituelle ” ,

comparando-o, nas questões de mística, a são João da Cruz.

São Paulo da Cruz não escreveu tratados de mística; temos sua doutrina em

“ cartas rápidas e familiares dirigidas a correspondentes assaz diferentes ” .

Nelas o santo Diretor procede por meio de alusões e lembretes de princípios, como um médico que escreve uma receita. Mas demonstra experiência tão própria e tão vasta, que se revela o maior místico e o maior Diretor espiritual italiano do século XVIII. O santo é tão iluminado, possui tanta benevolência e cordialidade que, sem em nada diminuir as exigências de perfeição, para cuja meta dirige com mão segura todos os que a ele se volvem, é o mais animador dos guias, o mais encorajados dos mestres. P. M. Viller, na Revue d'Asc. et de Myst., 1951, p. 134.

A primeira qualidade do diretor de almas é o

“ discernimento de espirito ” ,

que se não deve confundir com a profecia nem com a penetração dos segredos das consciências.

DISCERNIMENTO DE ESPÍRITO, conforme o sentir comum, são luzes especiais que auxiliam a descortinar os princípios donde procedem os movimentos interiores e escolher com acerto a direção que se deve dar às consciência..

E' em Deus que o diretor vê e conhece as almas. Necessita, portanto, de luz superna para discernir as inspirações do Espirito Santo do temperamento humano ou das sugestões diabólicas. E' ponto capital.

Sem esse discernimento, em que deploráveis e funestas veredas se podem lançar as almas! Essas luza. auxiliam o diretor a alotar-se às condições do dirigido, elevando-se com os perfeitos aos píncaros da santidade, aniquilando-se com os fracos e imperfeitos, como a mãe carinhosa se comporta com os filhos doentes.

Paulo da Cruz possuía esse dom em alto grau.

Seus ensinamentos, sempre oportunos e sábios; a facilidade com que penetrava as mais recônditas chagas das consciências para aplicar-lhes o remédio adequado; a clareza com que expunha os mais secretos mistérios que Deus opera no santuário da alma; a convicção, o alcance e a uniformidade de suas instruções... tudo isto nos fala claramente que Paulo possuía o Espírito de Deus. que penetra o âmago dos corações, para discernir-lhe os diversos movimentos.