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Ouçamo-lo agora explanar o completo e perene PERDER-SE da alma em Deus:
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Esteja totalmente abismada em Deus; deixe cair o seu espírito, qual gota de água, nesse
Oceano imenso de caridade; repouse nEle e receba as comunicações divinas, sem perder de
vista o próprio nada. Nessa divina solidão, aprendem-se todas as coisas; nessa escola
interior, mais se aprende calando do que falando. Santa Maria Madalena caiu de amor aos
pés de Jesus: calada, ouvia, amava e se desfazia em amor
”
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Conserve em toda parte esta oração e recolhimento interior no locutório, nos trabalhos
manuais, em todo lugar, enfim. Saia de si mesma e perca-se em Deus, liberte-se do tempo e
perca-se na eternidade
”
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Estou, por exemplo, à beira-mar. Tenho suspensa do dedo uma gota de água. Pergunto-lhe:
Pobre gota, onde desejas estar? Ela me responde: No mar. Que faço eu? Sacolejo o dedo,
deixando cair no mar a pobre gota. Pois bem, retire-a do mar, seu centro, se for capaz. Oh!
se ela tivera língua!
”
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Tire a conseqüência e aplique a si mesma a parábola. Perca de vista o céu; a terra, o mar e
suas praias, todas as criaturas, em suma. Deixe sua alma, pequena gota de água, perder-se na
vasto Oceano donde saíu, isto é, em Deus, infinitamente bom, infinitamente grande
”
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Que linguagem! Para exprimir-se em tal maneira, somente com a inspiração do Espirito
Santo. Lê-se nos Processos que muitas vezes os anjos escreviam em lugar de Paulo aquelas
cartas admiráveis por ele enviadas a seus dirigidos; o próprio Redentor o fez diversas vezes.
No entanto, subamos mais; atingiremos o aniquilamento do Eu humano, o ápice da cruz, a
morte mística com o Deus do Calvário, para viver a vida divina. E a alma poderá, então,
dizer a si mesma: NÃO SOU MAIS EU QUEM VIVE, E' CRISTO QUE VIVE EM MIM
(Galat. 2, 20).
Jesus Crucificado, com suas angústias e sede de amor, é o modelo desta morte mística.
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Jesus orou pelo espaço de três horas, lá no alto da Cruz. Ó meu Deus, que oração
crucificada não foi essa!. Oração sem nenhum consolo, nem interior nem exterior. Que
grande ensinamento, santo Deus! Peça a Jesus que lho imprima no coração. Oh! quanto há
aqui a meditar! Li algures que durante a agonia, depois das três primeiras chamas de amor,
isto é, das três primeiras palavras, quedou-se Jesus em silêncio até a hora nona, em contínua
oração. Que oração terrifica, ó meu Deus!
”
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Repouse, portanto, na Cruz do doce Jesus, dizendo apenas: - PAI MEU, FAÇA-SE A
VOSSA VONTADE... - E cale-se... Continue a descansar sobre a Cruz até chegar o ditoso
momento da verdadeira morte mística. Então, como diz são Paulo, OCULTAR-SE-Á TODA
EM CRISTO JESUS (Coloss. 3,3), na altíssima solidão por que tanto suspira, totalmente
desprendida das criaturas. E' esta a hora de sofrer em silêncio e paz.
”
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Filha minha, resignação perfeita em sua agonia e chegará à morte mística
”
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Se a alma morre, morre para reviver; se se despoja de tudo, é para revestir-se dos tesouros
celestes. Citemos algumas palavras do santo a respeito da transformação divina:
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Compenetrada assim do seu nada e despojada de tudo, arroje-se confiante no abismo de
todo o bem e deixe à infinita bondade de Deus agir divinamente em sua alma, isto é,
transpassá-la com os raios de sua luz, transformá-la por completo em Si pelo amor,
fazendo-a viver de seu divino Espírito, de sua vida de amor, vida santa, vida divina. Deixe
que a pobre mariposa, após revolutear em derredor da luz divina, com seus afetos,
sentimentos de humildade, de fé e, sobretudo, de amor, deixe-a lançar-se na luz divina, que é
a mesma essência de Deus. Que ela seja ali morta, incinerada...
”
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Já não viverá de sua vida, ruas na vida e da vida do supremo Bem. Essas as operações de
sua divina Majestade nas almas humildes e pequeninas, que atribuem a Deu. toda a glória de
seus dou., apresentando-os ante o seu trono, humilde e amorosa oferta, qual incenso de
agradável odor
”
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Leia com atenção estes belos ensinamentos, leia-os, contudo, com coração humilde, simples
e aberto, a exemplo da madrepérola, que recebe o rocio do céu e logo cerra suas conchas e
se vai para o fundo do oceano formar a sua pérola preciosa
”
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Deve ter notado o piedoso leitor como o nosso santo, para que a alma se não extravie no
vácuo, na ilusão ou na esterilidade, dá por pedra de toque da oração a prática das virtudes,
especialmente da humildade e do desprezo de si mesma.
Esboçamos apenas as egrégias qualidades de Paulo da Cruz como diretor de almas,
considerando-o pelo prisma de sua predestinação: A PAIXÃO DE JESUS CRISTO.
A sagrada Paixão foi a poderosa alavanca de que se serviu para, em elevando os corações,
altear gradativamente as almas à mais alta contemplação.
Omitimos, muito a contragosto, preciosos tesouros espirituais, brotados de sua pena e de seu
coração, expressos no sonoro e rico idioma italiano, tão apto a traduzir os afetos da alma.
Nada obstante, o exposto bastará, creio, para convencer-vos de que para falar-se de tão
sublimes conceitos com tanta clareza e facilidade, é necessário habitar-se as regiões
superiores da amor e da fé.
Podemos, pois, colocar o nosso santo a par dos grandes mestres da vida espiritual.
Voltemos, todavia, à nossa história.
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