CAPÍTULO IV

1716 - 1719


NOVO DIRETOR

O diretor espiritual de Paulo, já o vimos, era o pároco de Castellazzo.

Notando no jovem dons extraordinários, sinal de grandes desígnios do Senhor, julgou bem confiá-lo à direção de sacerdote mais versado nos caminhos de Deus.

A Providência conduziu o nosso santo a frei Jerônimo de Tortona, religioso capuchinho, do convento de Castellazzo.

O novo diretor, dotado daquele tato divino que nenhuma qualidade natural pode suprir, divisou em Paulo Francisco uma dessas almas grandes, predestinadas a eminente santidade. Começou, pois, a guiá-lo pelo caminho da perfeição e permitiu-lhe a Comunhão diária, secundando-lhe o ardente desejo de viver constantemente unido a Jesus.

Com direção tão esclarecida, Paulo se entregou com maior fervor ao divino serviço. Temendo, porém, a estima e louvores humanos, comungava e fazia prolongadas meditações ora numa igreja, ora noutra, dando preferência às menos freqüentadas.

Dócil às inspirações da graça, elevou-se rapidamente aos mais altos graus da contemplação divina.

Tão admiráveis progressos alarmaram a frei Jerônimo, que, desconfiando das próprias luzes e temendo embargar as operações do Divino Espirito Santo, aconselhou ao penitente consultasse um seu coirmão, célebre pela ciência e labores apostólicos, de raro talento na direção das almas, frei Colombano de Gênova, residente em Ovada.

Paulo tinha que percorrer cerca de 30 quilômetros a pé para ir ter com frei Colombano, mas fazia-o de bom grado, quer para obedecer ao Diretor, como porque o santo capuchinho o atraia pelas luzes e coragem que lhe infundiam suas palavras.