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Estamos em 1718 e Deus começa a revelar a Paulo a idéia da fundação de um Instituto
religioso.
Sói Nosso Senhor dar à alma certo pendor para o sacrifício que lhe prepara. A principio
vagamente; ao depois, com segurança e clareza: E' uma espécie de iniciação pela dial é a
alma conduzida com infinita suavidade. Assim, da noite escura não se passa à luz meridiana,
sem que precedam o alvorecer e a aurora, preparando a vista para o resplendor do dia.
Ó maravilhoso agir da Providência! Por essa inclinação ao bem pronunciada, como provem
de Deus, o diretor perito na ação misericordiosa da graça pode descobrir as vocações do
Céu.
Eis por que no trabalho ainda secreto das vocações necessita a alma de firme direção. Caso
contrário, fácil seria afastá-la do verdadeiro caminho, desconhecendo quem a dirige os
desígnios de Deus sobre ela.
Paulo comunicava a frei Colombano as primeiras luzes a respeito da futura Congregação.
Por vezes, era um grande desejo de retirar-se ao ermo, ou a inspiração de reunir
companheiros, bem como de andar descalço e revestir-se de pobre túnica.
O diretor ouvia tudo e tudo examinava com máxima atenção e, doutíssimo como era, concluiu
enfim serem luzes supernas.
Ouçamos, porém, o nosso santo a respeito do modo como Deus o guiava. Esta página
inspirada, escrita por ordem do confessor e em que se revelam as comunicações do Céu,
respira verdadeiro encanto.
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“
Eu, Paulo Francisco, pobre e indigno pecador, o último dos servos de Jesus Cristo, cerca
de dois anos depois que a infinita bondade de Deus me chamou à penitência, ao passar certa
vez pelas praias de Gênova, deparei pequena igreja solitária sobre um monte, a cavaleiro de
Sestri, dedicada à S S. Virgem do Gazzo. Ao contemplá-la, experimentei fortíssimo desejo
de viver naquela solidão; porém, obrigado por dever de caridade a assistir a meus pais, não
pude levá-lo a efeito e guardei-o no coração. Tempos depois, não me lembro o mês nem o
dia, senti novo impulso, muito mais forte, de retirar-me à solidão. Essas inspirações Deus
mas dava com grande suavidade interior.
”
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“
Ocorreu-me ao mesmo tempo a idéia de vestir-me de túnica preta da lã mais ordinária, de
andar descalço e de viver na mais rigorosa pobreza. Numa palavra, aspirava viver, cone a
graça de Deus, vida penitente. Esse pensamento jamais me abandonou. Um atrativo sempre
mais forte chamava-me ao ermo, não unicamente à igreja de que falei, mas á qualquer
solidão.
”
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“
Tinha somente em vista seguir os amorosos convites de meu Deus, cuja infinita bondade me
impelia a abandonar o mundo. Como não pudesse dar cumprimento a esse desejo, por ser eu
indispensável à família, isto é, a meu pai, à minha mãe e a meus irmãos, mantinha sempre
secreta a minha vocação, abrindo-me tão somente com o padre espiritual.
”
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Ignorava os desígnios de Deus sobre mim, pelo que não pensava senão em desprender-me
dos afazeres domésticos para retirar-me mais tarde à solidão.
”
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“
Contudo, o soberano Bem, que em sua infinita misericórdia tinha outros desígnios sobre este
miserável verme da terra, não permitiu que me libertasse então de tais encargos. Quando
estava prestes a desembaraçar-me, novas dificuldades surgiam, aumentando mais e mais
aqueles anseios. Por vezes pensava em reunir companheiros, idéia que se me fixara no
íntimo da alma
”
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Essas primeiras luzes eram apenas o esboço da santa obra a que Deus o destinava. O jovem
multiplicava as preces e as mortificações, rogando a N. Senhor sinais mais claros de sua
divina Vontade. Em breve tornar-se-ão essas luzes mais freqüentes e mais inequívocas.
De quando em quando fazia-lhe Deus compreender, por locuções internas, que o destinava a
uma obra importantíssima, difícil e repleta de sofrimentos.
Outras vezes, atraindo-a a si com suave arrebatamento, dizia-lhe:
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Far-te-ei ver em breve
quanto deves padecer pelo meu nome
”
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Um dia, enquanto rezava diante do ss. Sacramento, segredou-lhe o Senhor:
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“
Meu filho, quem de mim se aproxima, aproxima-se dos espinhos
”
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Ouçamos a Paulo:
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“
Enquanto orava, vi nas mãos de Deus um açoite formado de cordas, como uma disciplina.
Nele estava escrita a palavra: AMOR No mesmo tempo dava N. Senhor à minha alma
altíssimo conhecimento de que iria açoitá-la, mas por amor, e a alma se lançava alegremente
para o açoite, a fim de abraçá-lo e beijá-lo em espírito. Com efeito, depois que Deus por sua
infinita bondade me deu essa visão logo, se seguiram grandes sofrimentos, e eu tinha plena
certeza de que vi riam, porque Deus me dera conhecimento infuso disso.
”
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