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Quando se chegou a compreender o infinito do inferno e o. infinito do Calvário, tudo está
compreendido: o pecado e sua malícia; a alma e seu preço; Deus, sua justiça e sua
misericórdia..
Estava plasmado o apóstolo da Paixão.
Com que ardor não trabalhará em purificar as almas no Sangue do Redentor, e libertá-las dos
castigos que acabara de presenciar?!
Os desígnios de Deus são insondáveis! Quando mais necessitava o nosso santo daqueles
diretores, em vista das graças extraordinárias com que Deus o favorecera, ambos lhe são
arrebatados. O pe. Jerônimo e o pe. Colombano, em conseqüência das eleições capitulares
da província, passaram a outros conventos..
Provavelmente a conselho deles e para ter direção estável tomou o servo de Deus por
confessor o revmo. cônego penitenciário da catedral de Alexandria, Policarpo Cerruti,
doutor em teologia e direito canônico.
Eis o que mais tarde dele escreveu Paulo em uma carta:
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“
Notifico-lhe que dois sacerdotes se uniram a nós. Outros quatro nos foram enviados da
Lombardia pelo meu antigo confessor, que é cônego penitenciário da catedral de Alexandria
e que, quando eu ainda estava no século, dirigiu minha pobre alma. Pie os provou e posso
fiar-me bem do juízo desse servo de Deus, pois é bastante douto
”
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Paulo abriu de par em par a alma ao cônego Cerruti. Este, ao ouvir coisas tão insólitas,
temendo ilusões e desejando levá-lo pela via segura da humildade, mostrava-se indiferente e
o tratava com severidade. Fazia-o esperar manhãs inteiras antes de ouvi-lo em confissão,
embora houvesse percorrido 6 quilômetros em jejum.
Quando lhe referia suas elevadas aspirações e santos desejos, ao invés de aconselhá-lo e
dirigi-lo nas dúvidas, repreendia-o atribuindo tudo a alucinações.
Tomava Paulo, de ordinário, por assunto de meditação a Paixão de Cristo, prova da infinita
caridade de um Deus, imolado pela nossa salvação. Dai se remontava ao soberano Bem,
como a águia fita o sol: sublime contemplação, em que os inefáveis ardores de seu amor
encontravam dulcíssimo refrigério. Dir-se-ia que o cônego Cerruli pretendia dirigi-lo por
veredas bem diversas daquelas a que Deus o chamara, contrariando o parecer do pe.
Jerônimo e do pe. Colombano.
Repreendia-o asperamente como a presunçoso, ordenando-lhe não meditasse para o futuro
senão o pecado, a morte, o juízo, o inferno e o paraíso ou qualquer outro ponto da via
purgativa.
Dura provação para essa alma já tão sublimada por Deus!
Apesar de lhe custar duros sacrifícios o constranger sua alma a palmilhar o caminho
ordinário, obedeceu com simplicidade de criança, conquistando vitória sobre si mesmo.
Pôs-se, com efeito, a meditar o pecado.
O Senhor, porém, que se compraz nas almas dóceis e mortas a si mesmas, recompensou-lhe a
obediência.
Outorgou-lhe ao espírito clarividências celestes, sustou-lhe as operações do entendimento,
atraíu-o a si com doçura e força irresistíveis e, em rápidos vôos espirituais, elevou-o ao
conhecimento dos altos mistérios da Fé.
Mas, como relatar o martírio desta alma?
Por uma parte, não queria deixar o caminho traçado pelo diretor; por outra, Deus o atraía
invencivelmente por veredas superiores. Lutas dolorosas a lhe multiplicarem os tormentos
do coração.
Não resistiu a natureza a essa rude prova. Caiu gravemente enfermo; esteve entre a vida e a
morte.
Deus, porém, quis conservar-lhe a existência para sua glória, fazendo cora que se
restabelecesse perfeitamente.
Continuava Nosso Senhor, nos êxtases, a revelar-lhe, embora veladamente, o futuro Instituto
da Paixão. Apresentava-lhe misteriosa túnica preta, repetindo-lhe ao espírito:
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“
Meu filho,
quem me abraça, abraça os espinhos
”
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Paulo compreendeu que iria tornar-se realidade a aspiração que havia muito vinha
alimentando: esconder sua vida no silêncio e na austeridade. Mas, como o diretor
contemporizasse, vivia em continuas e penosas incertezas.
Deus favoreceu-o, então, com graça mui assinalada.
Fiel à obediência, continuava a meditar sobre os novíssimos. Ao chegar à consideração do
paraíso, foi de modo extraordinário arrebatado em Deus. Segredou-lhe o Senhor no mais
intimo da alma estas palavras:
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“
Meu filho, no Céu o bem-aventurado não estará unido a mim
como amigo a amigo, mas como o ferro penetrado pelo fogo
”
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E, no mesmo instante, como a
luz divina lhe sublimasse a inteligência, elucidando-lhe o espirito, concebeu altíssimo
conhecimento da transformação da alma bem-aventurada em Deus, da visão de Deus na luz
de Deus, e do amor divino comunicado pelo mesmo Deus com o esplendor de sua glória.
Compreendeu, enfim, no mistério da glorificação dos eleitos, coisas inefáveis que a
linguagem humana não pode exprimir.
Paulo e seu Instituto terão por especial encargo o pregar a Jesus Crucificado. Por isso
comprazia-se Deus em mostrar-lhe no Calvário a única estrada do paraíso, fazendo-lhe a
mesma revelação que ao grande Apóstolo das Gentes, que, arrebatado aos Céus, ouvira
palavras tão sublimes, que não é dado ao homem repeti-las na terra. Como Paulo de Tarso, o
nosso santo porá toda a sua glória na Cruz de Cristo, pregando Jesus Crucificado a todos os
povos.
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