UMA RESIDÊNCIA EM ROMA

O nosso santo havia muito desejava uma casa em Roma, mas, certo de que ainda não soara a hora da Providência, resolveu abrir, inteiramente, uma residência para poucos religiosos e que servisse de abrigo aos que necessitassem ir à Cidade Eterna.

No ano seguinte partiu para lá e, a conselho de Clemente XIII, obteve um casebre nas vizinhanças do Coliseu, na rua que ia dar à basílica de Latrão. E, sem mais, retornou ao retiro do Santo Anjo.

Seu grande benfeitor, Antônio Frattini, nobre romano, auxiliado por outras pessoas, encarregara-se das formalidades e gastos da aquisição e dos reparos no prédio.

Paulo profetizava que aquele pequeno grão de mostarda, lançado à terra pela divina Providência, tornar-se-ia frondosa árvore.

O vaticínio cumpriu-se ao pé da letra, como veremos.

Intitulou à pequena casa: Residência do Santo Crucifixo.

O pe. João Maria de Santo Inácio, com dois sacerdotes e um irmão leigo, todos de singular virtude, habitaram a residência. Lá viviam como no deserto, orando e penitenciando-se.

Como o snr. Frattini foi mais tarde ecônomo do nosso Instituto, oferece interesse a origem da amizade que o ligou para sempre ao servo de Deus.

Ia Frattini anualmente, em companhia do velho pai, a Sutri e a Vetralla, em visita a duas de suas irmãs, religiosas. Estas narraram-lhe coisas admiráveis a respeito de Paulo. Frattini, desejando conhecê-lo, dirigiu-se ao retiro do Santo Anjo, onde conferenciou com o santo por largo tempo. Conhecerem-se e amarem-se foi o mesmo. Daí por diante, sempre que visitava as irmãs ou mesmo por cartas, retemperava a alma nos conselhos de Paulo.

Adoecera o pai de Frattini; ele escreveu imediatamente ao servo de Deus, recomendando-o às suas orações. Paulo respondeu

“ De boa vontade rezarei por seu pai, posto que por agora nada haja a temer, pois ainda não chegou a sua hora ” .

Algum tempo depois, recaíu o bom velho e Antônio sem mais notificou-o ao amigo. Pela resposta, temeu a morte do pai e do temor passou à certeza, quando soube por um religioso do Santo Anjo que o santo, ao recomendar o enfermo às orações da comunidade, afirmara várias vezes estar o ancião maduro para o Céu. O filho, aflito, preparou-se para o golpe, que não tardou a feri-lo.

Em outra circunstância, Frattini libertou-se de iminente perigo, e sua senhora recuperou milagrosamente a saúde pelas orações do servo de Deus.

Por tudo isso e ciente ademais dos dons sobrenaturais do santo, Frattini o venerava e professava-lhe terníssimo afeto.