VAMOS VER O SANTO...

Foram verdadeiras multidões que se abalavam ao seu encontro.

Ébrios de contentamento, acompanhavam-no até a residência e, quando o santo ancião descia da carruagem, a que o obrigavam a idade e os incômodos, agrupavam-se-lhe ao redor a fim de beijar-lhe o santo hábito e as mãos.

Os mais indiscretos chegavam a cortar-lhe fragmentos do santo hábito e até dos cabelos. Todos queriam obter alguma coisa do homem de Deus, qual preciosa relíquia. Por vezes, para evitar acidentes, eram necessárias forças armadas.

Em Ceprano e Frosinone, o concurso foi tal, que os soldados com muita dificuldade conseguiram abrir caminho para a passagem do servo de Deus.

As residências cios benfeitores e até a solidão dos nossos retiros não eram refúgio seguro. Todos, queriam vê-lo, ouvi-lo, falar-lhe e gozar por instantes de sua presença.

O humilde religioso abria a todos, os braços de sua caridade; para todos tinha uma palavra de conforto, um conselho, uma advertência, recomendando sempre a meditação da sagrada Paixão e o amor a Jesus Crucificado.

Quando celebrava o santo Sacrifício, a igreja regorgitava de fiéis, como nas grandes festividades. E' que Paulo no altar excitava a fé e a piedade.

Os cânticos piedosos recordavam os dias felizes das missões, pregadas pelo grande apóstolo, cânticos que se faziam ouvir particularmente ao acompanharem-no ao longo das estradas.

Os lavradores, apenas o viam, deixavam os seus afazeres, os bois e as carretas, para lhe correrem ao encontro. Rodeavam-no e lhe pediam a bênção.

Estas cenas eram diárias.

De permeio com o povo havia pessoas da mais alta distinção: barões, condes, sacerdotes e até bispos.

Em Fondi, d. Calcagnini, apenas soube da chegada do santo, foi visitá-lo. Abraçou-o e, entre outras provas de afeto e veneração, convidou-o para, no dia seguinte, celebrar em sua capela particular.

Em Anagni, enquanto o prelado se entretinha com o servo de Deus em conferência espiritual e em consultas a respeito do governo da diocese, chegou o snr. bispo de Ferentino para conferenciar com ele. Em seguida, apesar dos protestos do homem de teve ele que atravessar a cidade entre os dois prelados, acompanhado de verdadeira multidão de fiéis. Mais tarde disse Paulo ao confessor:

“ Jamais em minha vida experimentei tanta vergonha e confusão como naquele dia ” .

Os alunos do seminário e os pensionistas foram incorporados receber a bênção do santo. As esposas de Cristo rogaram ao snr. bispo lhes enviasse o pe. Paulo para afervorá-las no serviço de Deus.

O ardente apóstolo pregou em diversos mosteiros. Às clarissas de Anagni discorreu sobre o texto do Apóstolo:

“ Estou morto e minha vida está oculta em Deus com Jesus Cristo ” ,

e fê-lo com tal fervor e unção, que as virgens do Senhor derramaram abundantes e doces lágrimas.

Essas demonstrações de afeto e veneração eram verdadeiro martírio para o coração do humilde religioso. Todavia, nenhuma tentação de vanglória o molestava, porque havia muito alcançara o grau de humildade em que o amor próprio se extingue inteiramente; havia tocado, digamo-lo assim, o TODO de Deus e o NADA da criatura. Admirava-se de

“ não poder descobrir o motivo da veneração com que o recebiam por toda parte ”

São palavras suas ao confessor.

Persuadiu-se de que estavam enganados, sendo ele a causa desse engano. Este o pensamento que o afligia, fazendo-o chorar e suspirar.

Oh! como desejaria fugir, ocultar-se e desaparecer dos olhos de todos, a fim de que ninguém fosse enganado! Para evitar essas demonstrações, partia de madrugada ou à noite, mas tudo em vão. Dir-se-ia que N. Senhor, tomando o partido do povo, se comprazia em pôr à prova a humildade de seu servo.