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O leitor perguntará, com certeza: Como se explicam manifestações tão entusiásticas e gerais?
Pelo conceito que todos tinham de sua santidade e pelos prodígios que acompanhavam sua
passagem.
Todos viam nele um reflexo das perfeições divinas ou, antes, o mesmo Jesus Cristo. Apenas
se lhe aproximavam, eram curados os enfermos da alma ou do corpo, os desesperados
recobravam a paz, os que jaziam em trevas reaviam a luz, os molestados por remorsos se
compungiam.
As mães apresentavam-lhe os filhinhos para que os abençoasse, e os enfermos, carregados
ou arrastando-se, dirigiam-se para onde ele devia passar.
Em São Sósio, Ana Amatti, viúva de Falvaterra, tinha um filho com perigosa hérnia. A boa
senhora levou-o ao venerável padre. Paulo o abençoou e, no mesmo instante, desapareceu a
hérnia!.
Teresa Spagnoli, esposa de Vicente Mattia, cônsul em Terracina, que já sofrera a extração
de um tumor no seio esquerdo, notou que novo tumor surgia no direito. Para não contristar o
marido, ocultava o mal. Manifestou-o, todavia, ao servo de Deus. Este ordenou-lhe:
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“
Senhora, cale-se a respeito dessa enfermidade
”
.
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Benzeu-a e, de volta à casa, Teresa teve a satisfação de se ver livre do mal e, o que é mais,
desaparecera a cicatriz da operação.
Em Ceccano, certa mulher, que tinha uma mão paralítica, milagrosamente se viu curada com
a aplicação de um pedaço da capa do santo.
Uma menina de dez a onze anos, chamada Gertrudes Ruggieri, de Sutri, ferira-se com um
espinho na mão direita. Os médicos se viram incapazes de debelar o mal, que progredia,
causando dores atrozes à pobre paciente.
Levada à presença de Paulo, um ano após o ferimento, este a benzeu com uma relíquia,
recomendando-lhe prudência e oração. A pequena, ao beijar-lhe a capa, arrancou-lhe alguns
fiapos. Jubilosa do piedoso furto, pediu a mãe lhos aplicasse na mão enferma. Dias após
disse à mãe que sentia coceira na parte afetada.
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“
Confiança, minha filha, respondeu a mãe, o pe. Paulo debelará o mal
”
.
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Ao tirar as
ataduras, notou que nada mais havia da ferida, nem mesmo a cicatriz.
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“
Vês, minha filha, diz
chorando a mãe, o pe. Paulo te curou. Deves rezar diariamente um pai-nosso e uma
ave-maria em ação de graças
”
.
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Anuiu a menina e perseverou na promessa feita. Às vezes,
porém, se esquecia quando chegava a noite, antes de deitar-se ou depois de já estar na cama,
sentia pontadas na mão, do que se queixava singelamente à mãe. E esta:
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“
Recitaste o
pai-nosso e a ave-maria?
”
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Reparando a omissão, imediatamente passava a
dor.
Por todos esses prodígios, crescia o entusiasmo do povo.
Como industriosa é a humildade para fugir das honras! Paulo começou a benzer a água com a
relíquia da ss. Virgem e essa água operava milagres. Era Maria e não ele a taumaturga. A
Nossa Senhora, portanto, e não a ele, deveriam dirigir-se aquelas homenagens, que tanto o
afligiam.
Impossível fora relatar aqui todos os milagres operados pela água benta com a relíquia de
Nossa Senhora. Narremos os seguintes.
Em São João Incário, cidade do reino de Nápoles, estava a expirar certa pessoa. Apenas
tocou com os lábios uma gota da água benta pelo santo, deixou o leito, como se despertara de
profundo sono. O médico dirigiu-se a São Sósio para relatar a Paulo o ocorrido,
acrescentando:
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“
Agora encontrei ótimo remédio para os meus clientes, pe. Paulo; não prescreverei outro: é a
sua água
”
.
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Em Pastera, estava para expirar uma senhora devido a um parto prematuro. Fizeram-lhe
beber daquela água obtendo feliz resultado.
José Maceroni, de Terracina, atacado de febre maligna, somente por milagre poderia
escapar da morte.
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“
Pois bem, disse a mãe do enfermo, far-se-á o milagre
”
.
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Na manhã seguinte, de madrugada, foi ter com o servo de Deus; encontrou-o no altar a
celebrar o santo Sacrifício. Apenas chegou ele à sacristia, lançou-se-lhe aos pés a pobre
mãe e, chorando, lhe disse
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“
Pe. Paulo, os médicos desenganaram a meu filho... Pe. Paulo, tenha piedade desta mãe...
Piedade...
”
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O servo de Deus, comovido, respondeu:
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“
Deixe-me dar as ações de graças; depois falaremos
”
.
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Voltou Paulo com o pe. Nicolau da Coroa de Espinhos, a quem dissera:
E à desolada mãe:
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“
Coragem senhora, José não morrerá. Vou benzer a água da ss. Virgem.
Não duvide, seu filho não morrerá. Chegando em casa, deu-lhe de beber desta água e logo
melhorará. Antes de dar-lha, reze uma ave-maria e um gloria-patri em louvor da SS.
Trindade. Creia-me, ainda que esteja na agonia, recuperará imediatamente a saúde
”
.
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Parte a pobre mãe, dando-lhe asas à esperança. Ao entrar em casa, vê que estão preparando
o remédio para o filho.
pergunta ela. Ao receber a resposta retruca:
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“
O remédio está aqui. Todos de joelhos!... de joelhos!...
”
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Ajoelharam-se todos como que eletrizados por aquela voz materna.
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“
Recitemos uma ave-maria e um gloria-patri. E' o pe. Paula que ordena
”
.
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Terminada a oração, dá uma colher de água benta ao filho moribundo. No mesmo instante
começa a melhora. Dias depois vai o jovem agradecer ao servo de Deus, a quem relata a
cura miraculosa.
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“
Não é a mim que você deve agradecer, mas às fervorosas orações de sua mãe e à
intercessão de Nossa Senhora
”
,
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respondo Paulo.
Em meio de prodígios, de cânticos, festas e aclamações populares, concluiu o santo a visita
triunfal, para ocultar-se na residência do Santo Crucifixo, em Roma. Lá chegou no dia 6 de
maio de 1767.
Mas. as honras são como a sombra: perseguem aos que delas fogem. Paulo não se vê livre de
louvores. Apenas corre a noticia de sua volta, os mais insignes personagens da cidade,
cardeais particularmente o cardeal Vigário, que largo tempo o tem em seus braços em
prolongado amplexo, cumulam-no dos mais ternos afetos e veneração.
Tão logo lho permitiram as forças, foi lançar-se aos pés do Sumo Pontífice que,
satisfeitíssimo por tornar a vê-lo, tratou-o familiarmente e deu-lhe a bênção apostólica.
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