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Terminada a santa missa, disse a um de seus religiosos
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“
Mergulhei os corações dos cardeais no Sangue de Jesus; o que mais resplandecia era o de
Ganganelli
”.
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Paulo só conhecera Ganganelli em 1766, por ocasião de uma visita que fêz a sua eminência.
Desde essa primeira entrevista fascinaram-no e o edificaram as eminentes virtudes do
prelado. Teve, ademais, tão claro conhecimento de sua futura elevação ao Pontificado que,
ao sair da audiência, profetizou
Uma voz interior lhe segredava:
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“
Eis o Soberano Pontífice que dará a última demão no Instituto
”.
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Admiremos, de passagem, a divina Providência, unindo sempre ao santo, em cordial
amizade, os cardeais predestinados à Sé Apostólica, a fim de facilitar, em meio de mil
dificuldades, o estabelecimento do novo Instituto.
De regresso à casa dos Angeletti. afirmou sem hesitação:
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“
Ganganelli não acaba assim: será mais do que cardeal, subirá mais alto...
”
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Em 1767 foi o cardeal visitá-lo na humilde residência do SS.. Crucifixo. Após cordial
conversa, ao retirar-se, enquanto abraçava o servo de Deus, dizia-lhe
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“
Pe. Paulo, estou ao seu inteiro dispor, no que puder fazer por V. Paternidade e pela
Congregação
”
.
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“
Eminência, replicou Paulo, virá o tempo em que poderá e, de fato, fará muito pela minha
Congregação
”
.
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E repetiu por três vezes as mesmas palavras. O Príncipe da Igreja ponderou:
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“
Pe. Paulo, nem sempre as coisas sucedem como nós as desejamos
”
.
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“
Não será conforme nós desejamos, sentenciou Paulo, mas segundo o beneplácito de Deus
”
.
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E, com o rosto abrasado, voltou-se para Antônio Frattini e acrescentou:
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“
Eis, Frattini (e aponta com o dedo a Ganganelli), eis o sucessor do Papa atual. Vê-lo-eis em
breve
”
.
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E animando-se sempre mais:
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“
Não sou profeta, nem filho de profeta, mas não sou eu
quem fala, é Deus que me faz falar. Vê-lo-eis, sim, vê-lo-eis em breve
”
.
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O cardeal fita Frattini e diz apenas:
e põe o dedo nos lábios, significando-lhe que
deveria guardar silêncio sobre a predição de Paulo.
Durante o conclave, o servo de Deus recebeu em Santo Anjo uma carta, anunciando-lhe ser
voz corrente que o cardeal Stoppani seria o futuro Papa. Ao lê-la, põe-se a menear a cabeça,
asseverando a dois de seus religiosos:
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“
Stoppani, não, não; Ganganelli será o novo Papa
”
.
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O pe. José Jacinto de Santa Catarina, ao chegar de Roma para o Capitulo geral, foi pedir a
bênção do servo de Deus.
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“
Que se diz em Roma sobre a eleição do novo Papa?
”
,
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perguntou-lhe Paulo.
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“
O nome do cardeal Stoppani está em todas as bocas
”
,
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respondeu o religioso.
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“
Oh!, replicou o santo, não será ele
”
.
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“
Como sabeis que Ganganelli será Papa?
”
,
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perguntou o pe. Jacinto.
Paulo, com semblante grave e recolhido, respondeu
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“
Estou tão certo disto, como estou certo de ter este lenço na mão
”
.
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Tinha sobejas razões para assim falar, escreve são Vicente Maria Strambi, porque, conforme
declarou por diversas vezes ao confessor, salvo as luzes recebidas a respeito da fundação do
Instituto, nada lhe fora mais claramente revelado do que a exaltação de Ganganelli ao
Pontificado. Quando se reflete nas intrigas das cortes européias a respeito dessa eleição,
deve-se concluir que era impossível, humanamente falando, prever-lhe o resultado. Citemos
o pe. Cordara:
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“
Nas reuniões de cardeais, ninguém pensava em Ganganelli para elevá-lo ao
pontificado... Foi eleito como era de praxe e por unanimidade de votos... Foi questão de
horas...
”
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O pe. de Novais atribula-o à maravilhosa disposição da Providência.
Consulte-se um dos mais formosos monumentos históricos dos nossos tempos: CLEMENTE
XIII E CLEMENTE XIV, pelo pe. de Ravignan, Tomo I, cap. VII.
Um mês antes da eleição, disse Paulo a Romano Tedeschi, nosso benfeitor de Ronciglione,
em visita ao santo:
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“
O senhor, que mora em Ronciglione, por onde passa o correio, logo que souber da eleição
de Ganganelli, mande-me buscar. Quero ir beijar-lhe os pés
”
.
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Aos dezenove de março de 1769, Ganganelli era eleito Papa, sob o nome de Clemente XIV!
Tedeschi e mais alguns amigos correram a Santo Anjo levar a boa nova. O dedicado
benfeitor fêz questão de transportar a Roma o santo ancião, obrigado, por grave enfermidade,
a viajar de liteira. No dia 25 de março, de madrugada, estavam em Ronciglione, mas, como
todos desejavam confessar-se ou aconselhar-se com o santo, somente na manhã seguinte
puderam prosseguir viagem. À tarde já se achavam na residência do Santo Crucifixo.
O novo Pontífice não perdera de vista a Paulo. Certo dia, em conversa com mons. Angeletti,
seu camareiro secreto, grande amigo e benfeitor da nossa Congregação, asseverou-lhe:
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“
Sem dúvida alguma, por estes, dias estará em Roma o pe. Paulo
”
.
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“
Impossível, Santidade, respondeu Angeletti, ele está enfermo, podendo apenas mover-se
”
.
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“
Não importa, tornou o Papa que conhecia bem o coração do santo, não importa: ele virá
”
.
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Ao saber de sua chegada, desejou vê-lo imediatamente, enviando um de seus coches à
residência do Santo Crucifixo.
Uma carruagem do palácio apostólico!... Imaginemos a confusão do humilde religioso, ao
ver-se transportar ao Vaticano com tanta honra.
Que constraste com o passado! Ao confessor, que o acompanhava, disse o santo:
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“
Quantas vezes percorri estas ruas, descalço. Quantos trabalhos suportei nesta cidade para o
progresso da santa obra da Congregação!...
”
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Respondeu-lhe o confessor:
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“
Agora colhe v. revma. os frutos desses trabalhos...
”
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