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Chegados ao palácio, introduziram-nos imediatamente, por cena do Pontífice, ao gabinete
papal. Apenas o viu, levantou-se o - to Padre e correr a abraçá-lo com verdadeira efusão de
alegria... Fê-lo sentar-se a seu lado. ordenou que pusesse o solidéu. dando-lhe mil provas de
carinho.
Comoveu-se o santo ancião, derramando muitas lágrimas.
Após prolongado e íntimo colóquio, animado o servo de Deus por recepção tão cordial,
suplicou humildemente ao Santo Padre se dignasse aprovar solenemente a Congregação.
Respondeu-lhe Sua santidade que o faria de bom grado.
Depois de uma hora de audiência, tomou o Papa pelo braço o santo amigo e, com insigne
benevolência, acompanhou-o até a porta. Aos protestos de Paulo, respondia o Pontífice:
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“
Deixe-me, deixe-me praticar a caridade
”
.
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Aos dezoito de junho voltou Paulo à audiência de Clemente XIV para apresentar-lhe o
MEMORIAL, pedido de aprovação das santas Regras e dos privilégios das demais
Congregações e Ordens religiosas. O Soberano Pontífice, que o venerava como santo,
acolheu-o com a mesma benevolência da primeira vez. Dignou-se apresentar-lhe uma
cadeira, ajudando-o a sentar-se. Disse que iria pessoalmente examinar o memorial e as
santas Regras. O padre Consultor Geral, aludindo a Bento XIII, que facultara ao santo
Fundador reunir companheiros, atreveu-se a dizer que um filho de são Domingos dera o
nascimento ao Instituto da Paixão...
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“
Pois bem, interrompeu Clemente XIV sem dar-lhe tempo de completar o pensamento, um
filho de São Francisco o aperfeiçoará...
”
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Paulo, por sua parte, disse ao Santo Padre que esperava visitar, no dia da Assunção, a
imagem da ss. Virgem em Santa Maria Maior, na capela Borghese, a fim de agradecer à Mão
de Deus a confirmação do Instituto com novos privilégios.
Na véspera da Assunção, após quarenta dias de exame, os dois comissários, mons. Galada e
mons. Garampi, mais tarde cardeais da santa Igreja, notificaram ao Santo Padre seu voto de
aprovação. No dia seguinte, Sua Santidade enviava à residência do Santo Crucifixo o pe.
Sangiorgio, seu confessor, a fim de comunicar a Paulo que seus anseios estavam satisfeitos e
que já providenciara o despacho do Breve para a nova confirmação das Regras com Bula de
aprovação.
Não se pode exprimir quão sensibilizado ficasse o coração do santo à cortesia do Pontífice e
à proteção de Nossa Senhora.
Voou, pois, a Santa Maria Maior, onde, precisamente a cinqüenta anos, ante aquele
comovente ícone, emitira o voto de propagar a devoção à sagrada Paixão de N. Senhor Jesus
Cristo.
Apesar da idade avançada e cios graves incômodos, assistiu quase sempre de pé o Ofício
divino, rendendo vivíssimas ações de graças a Deus e à ss. Virgem.
Por carta circular, comunicou a grande mercê a todos os religiosos, ordenando solenes ações
de graça.
Passados alguns dias, foi o ven. Fundador agradecer ao Santo Padre. Como sempre,
cordialíssima foi a recepção. Depois de familiar palestra, com simplicidade infantil, disse
Paulo a Clemente XIV:
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“
Santo Padre, como hei de pagar as despesas do Breve?
”
,
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e assoprando levemente na mão,
acrescentou:
O Santo Padre, comovido, respondeu-lhe sorrindo
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“
Pe. Paulo, deveis bem mais do que pensais, porque, além do Breve, vou dar-vos também
urna Bula... Não penseis mais nisto: conheço bem a vossa pobreza
”
.
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Paulo retirou-se plenamente consolado.
Por mais que se apressasse, sempre levou algum tempo: mas finalmente ficaram prontos os
dois importantíssimos documentos. O Breve, com data de 15 de novembro de 1769,
confirmava as Regras; a Bula, com data do dia seguinte, aprovava solenemente o Instituto.
Ao invés de expedi-los, num rasgo genial de extraordinária bondade Clemente XIV
encarregou um prelado de levá-los pessoalmente ao servo de Deus, qual presente precioso,
no dia 23, festa de São Clemente.
Paulo osculou respeitosamente a Bula, rica de mercês e privilégios, e, colocando-a sobre o
altar, reuniu a pequena comunidade para o hino de ação de graças à divina misericórdia,
sempre liberalíssima em seus favores.
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