O PAPA O DETÉM EM ROMA

Dispunha-se a partir, quando o cardeal Vigário, informado de sua resolução, foi ao Santo Crucifixo dissuadi-lo de deixar Roma. Como nada conseguisse, levou ao conhecimento do Pontífice o projeto do santo Fundador.

Clemente XIV, não consentindo que Roma perdesse tão rico tesouro e, ademais, desejando-o sempre junto a si, disse-lhe com paternal afeto:

“ Eu sei o que v. revma. irá fazer no seu retiro do Santo Anjo. Rezará para si, por Nós, por toda a Igreja... Pois bem, o mesmo poderá fazer aqui em Roma e melhor ainda ” .

Inclinou o humilde religioso a cabeça. Deus falara pelos lábios do Papa; ele obedecerá.

Agradou a Clemente, exímio juiz em se tratando de virtudes, essa admirável submissão. Ele irá recompensar o heróico sacrifício.

Por ocasião do santo Natal, foi Paulo, conforme costumava, Sua Santidade. Patenteando o Pontífice, como sempre, afeto, fê-lo sentar-se a seu lado e pronunciou as seguintes

“ Pe. Paulo, já que v. revma. se rendeu de pronto ao desejo ir cardeal Vigário e ao Nosso, permanecendo em Roma, justo é que providenciemos uma casa e uma igreja para sua Congregação. E' necessário, é de justiça, mas dê-me tempo ” .

Em seguida, para dar ao ven. ancião o consolo de celebrar a santo Sacrifício na noite de Natal, facultou-lhe cantara missa ma capela doméstica de sua residência.

Satisfeitíssimo pelo insigne favor, retornou Paulo à modesta habitação. Não podendo conter os transportes da alma, repetia

“ Ó prodígio! Ó milagre! Um Deus vem a nós!... ”

Somente ele poderia dizer-nos as comunicações divinas recebidas naquela noite de graças e bênçãos. A abundância das lágrimas e o ardor do rosto manifestavam o fogo sagrado com que o divino Infante lhe abrasara o coração.

De manhã, celebradas as outras duas missas, foi venerar o santo Presépio na basílica de Santa Maria Maior. Lá, ante aquele trono de pobreza, ajoelhado ou em pé, assistiu à missa solene celebrada pelo Santo Padre.

Passou o dia todo absorto na contemplação desses inefáveis mistérios de caridade, anelando seu coração correr docemente para o Verbo, para a Sabedoria eterna, que se fêz homem e habitou entre nós.