BREVE DE CLEMENTE XIV

Antes de deixar Roma, o Santo Padre exigira do servo de Deus a promessa de que lhe enviaria notícias da viagem e do estado de sua saúde.

Paulo escreveu do retiro de Corneto a Sua Santidade, dando-lhe conta da viagem, da regularidade, do fervor e da paz reinantes entre os religiosos. Satisfeito por tão consoladoras informações, expediu-lhe Clemente XIV o seguinte Breve:

“Clemente XIV, Papa.

Querido filho, saúde e bênção apostólica.

De outras provas que vos demos do nosso amor paternal, podeis concluir facilmente com que satisfação recebemos vossa carta, em que tão bem soubestes expressar os vossos sentimentos de fé, afeto e respeito a Nós e à Sé Apostólica, prova sobretudo do vosso amor e do amor de vossa Congregação a Nossa pessoa, com assegurar-nos de que não cessais de pedir à clemência do Deis Todo Poderoso direção e amparo à Nossa debilidade nas gravíssimas funções do apostolado supremo. Não podíeis dar-nos melhor prova de vossa piedade filial, nem fazer coisa mais conforme à finalidade do vosso Instituto e às necessidades do Nosso encargo, já que unicamente em Deus encontramos auxílio e força.

Ânimo, pois, querido filho! Assim agindo, continuareis a merecer de Nós e da Igreja universal; não cesseis vós e todos os vossos religiosos de implorar-Nos o auxílio divino, de que tanto necessitamos Deste modo correspondereis dignamente à Nossa paternal esperança e aumentarei, sempre mais Nossa especial benevolência para convosco e para com os vossos. Esta a disposição de Nosso coração para convosco e para com o vosso Instituto. Formulamos ardentes votos para que cada dia cresçais em méritos e virtudes.

Com que prazer lemos o relatório de vossa Congregação nesta. regiões!

Com que alegria soubemos como se estende e prospera, espalhando o perfume da santidade!

Para torná-la mais e mais florescente, prometemo-vos o Nosso auxílio, a Nossa autoridade e a Nossa proteção. Já conheceis o. Nossos sentimentos para convosco, mas, ao reafirmá-los, desejamos que este Breve seja prova de Nosso especial afeto para com todos vós. Exortamo-vos, com a mais viva insistência, persevereis no caminho da virtude, que haveis empreendido, auxiliando-Nos com vossas fervorosas preces, a manter e aumentar sempre mais Nossa paternal benevolência para convosco, bem como Nossa alegria pelo progresso da vossa Congregação.

Acompanhamo-vos com os Nossos votos e pomos sob os auspícios da divina Misericórdia os primórdios e o desenvolvimento de vossa Congregação, dando-vos de coração a bênção apostólica, a vós, amado filho, e a todos os vossos religiosos, a vós unidos no espírito de humildade e caridade.

Dado em Roma, em Santa Maria Maior, sob o anel do Pescador, aos 21 de abril de 1770, primeiro ano do Nosso Pontificado ” .

Este breve, imortal monumento de adesão sem limites, de terníssimo afeto do Vigário de Jesus Cristo, beijou-o Paulo devotamente e com indizível alegria... mas, de repente pôs-se a tremer

“Ali! como sou infeliz! exclamou chorando. Temo muito ouvir dos lábios do Senhor, no derradeiro dia: RECEBESTE A RECOMPENSA EM TUA VIDA”.

E' que Paulo se acostumava a avaliar os méritos sobrenaturais pelas provações, de maneira que, as alegrias da terra lhe pareciam empecilho à conquista do paraíso e porta aberta aos tormentos eternos.

Somente o confessor conseguiu acalmá-lo, persuadindo-o de que Deus concedia esses favores em prol da Congregação e para a glória de Jesus Crucificado.