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Aos 26 do mesmo mês apresentou-se o servo de Deus no palácio apostólico para nova
audiência.
Clemente XIV, estando adoentado, não recebia ninguém. Ao saber, porém, que Paulo
desejava falar-lhe, mandou-o entrar imediatamente, fê-lo sentar-se a seu lado, dando-lhe mil
provas de carinho. A presença do santo amigo era doce lenitivo ao Pontífice atormentado de
violentas dores.
Quanto se comprazia em contemplar aquele semblante de santo, aquela alma reta e leal! Que
diferença de tantas fisionomias oficiais, intrigantes, molestas, mandatários bastante fiéis elos
poderes humanos, que lhe assediavam e torturavam a consciência. A presença de Paulo
compensava por instantes a presença de tantos indesejáveis... Disse o Santo Padre ao
companheiro do servo de Deus
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“Oh! quanto me apraz conversar com o pe. Paulo! Quanto bem me faz ao coração! Esta
manhã não dei audiência a ninguém, nem mesmo ao Secretário de Estado; excetuei apenas o
meu PAIZINHO”.
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Era o afeto extraordinário a Paulo que assim o fazia falar. Na verdade, sempre que o santo o
visitava, Sua Santidade parecia olvidar sua alta dignidade, tão intima e familiar era a
benevolência com que o tratava.
Não se contentava com manifestar-lhe o júbilo que sentia com ir-lhe ao encontro e
conduzi-lo pelo braço à cadeira, mas acariciava-o, beijava-o na fronte e colocava-lhe a mão
na cabeça.
Em certa ocasião chegou a inclinar-se para apanhar o solidéu que o santo deixara cair...
Tanta afabilidade não diminuía a veneração de Paulo ao Chefe da Igreja. O vigor de sua fé
fazia-o tremer em presença do Vigário de Jesus Cristo.
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“Ali! exclamava, falando dos desprezadores da dignidade pontifícia, se eles tivessem o
conceito que Deus me dá a respeito dessa dignidade!...”
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E a veneração se lhe aumentava à medida que se enfronhava melhor nas eminentes virtudes
do Pontífice.
Ao ver Clemente XIV, entre os esplendores da corte pontifícia, portar-se com a simplicidade
e pobreza do claustro, inteiramente dedicado aos interesses de Deus, maravilhado,
exclamava:
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“Oh! a quantos religiosos não confundirá e condenará o Papa, no dia do Juízo!... ”
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Conheceu ainda melhor os princípios sobre que se baseava tão magnânimo desprendimento
quando, discorrendo a sós com o Santo Padre a respeito da alma e de Deus, disse-lhe
Clemente XIV, com expressão em que brilhava a nobreza de generosos sentimentos
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“Tenho apenas um temor: é de comportar-me como os vapores que, atraídos aos ares pelo
sol, o obscurecem. Tenho por máxima que a dignidade não deve servir-me, mas, ao
contrário, sou eu quem deve servir à dignidade”.
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Nas excursões apostólicas, observara o santo a onda de incredulidade que avassalava os
espíritos, e ouvira os primeiros brados da guerra ímpia à Igreja e à sociedade.
Era necessário que o clero se compenetrasse do espírito de sua sublime vocação e se
desdobrasse em zelo, preparando-se assim para o combate. Em poucas palavras expôs ele ao
Pontífice o seu plano. Clemente XIV achou-o muito prudente e apto para conseguir o fim
colimado, acrescentando que se harmonizava inteiramente com seu ponto de vista
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“Como vê, pe. Paulo, nossos sentimentos são os mesmos”.
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