CAPÍTULO XXXV

1771 - 1772


AS RELIGIOSAS DA PAIXÃO

Jesus Crucificado já possuía seu exército de apóstolos no Instituto da sagrada Paixão. Graças ao Altíssimo, estavam estabelecidos doze retiros, modelos de observância e fervor religioso, repletos de zelosos pregoeiros da divina palavra, atraindo milhares de almas ao pé da Cruz e purificando-as no sangue do Redentor.

Jesus Crucificado convocava também ao Calvário virgens consagradas à sua Paixão. Esposas dolentes, feridas no coração pelas chagas do celeste Esposo, viverão, longe do estrépito do mundo, contemplando a sua divina agonia, compadecendo-se de suas dores, chorando continuamente sua morte, salvando a humanidade pela oração e pelo sacrifício. A origem dessa instituição traz também em si o sinete divino. Colhendo fatos dispersos aqui e ali, veremos como ela foi obra exclusiva de Deus. Em seus fundamentos encontraremos também a Cruz.

Desde os primórdios da Congregação, uma alma santa, Inês Grazi, a célebre convertida na missão de Talamona, recebera a revelação de que o pe. Paulo fundaria um Instituto de virgens dedicadas à Paixão de N. Senhor.

Vivia Inês no lar paterno, entregue à oração e à penitência.

Paulo a chamava: QUERIDÍSSIMA FILHA EM JESUS CRUCIFICADO... INÊS DA CRUZ DE JESUS.

Morta Inês o santo

“ desejaria que houvesse uma pena douta e piedosa que descrevesse a vida da grande serva de Deus, Inês da Cruz de Jesus... ”

O sábio diretor, que tudo pesava na balança do santuário, para conservá-la humilde, não levava, ao que parece, em grande consideração as suas revelações.

Entregou-se à oração para conhecer a vontade divina. E N. Senhor lhe manifestou claramente que a jovem falara por inspiração do Céu.

O santo esperava pela hora da Providência.

Escrevia em 18 de junho de 1749 a outra grande alma, também sua dirigida

“ Quem sabe quando sua divina Majestade será servido dar começo à obra das santas virgenzinhas? Espero-a tranqüilamente... Deus quer ser rogado. Essa obra deve ser fruto da oração ” .

Foi na prece, com efeito, que o servo de Deus descobriu os meias para trazê-la à luz do dia.