MADRE MARIA CRUCIFIXA E DOMINGOS CONSTANTINI

Abastado cônego português José Carboni, deliberara fundar em Roma um mosteiro, sob o titulo de Nossa Senhora das Dores. Por este motivo mantinha assídua correspondência epistolar com Maria Crucifixa Constantini, religiosa beneditina do mosteiro de Santa Luzia, em Corneto. Ela devia ser a pedra fundamental da obra projetada. Em visita ao snr. Domingos Constantini, de Corneto, perguntou-lhe Paulo por sua irmã, Maria Crucifixa, sua dirigida havia muitos anos.

Respondeu-lhe Domingos que ela deixaria o mosteiro de Corneto para fundar o de Nossa Senhora das Dores, em Roma.

“Eu conheço o cônego Carboni, disse o santo; seu projeto não se realizará”.

“Como?! - interrogou, admirado, Domingos - se tudo está regularizado: a casa construída, o Soberano Pontífice autorizou e abençoou a obra...”

“Está bem, concluíu Paulo; repito-lhe: este empreendimento não se concretizará. A irmã Maria Crucifixa não sairá de Corneto. Deus emprega-la-á em uma obra que devo fundar”.

Domingos relatou à irmã a conversa que tivera com o pe. Paulo. A religiosa, julgando que o homem de Deus pretendia fazê-la mudar de parecer, ponderou

“Já dei minha palavra àquele digno cônego e não posso tornar atrás”.

Não tardou, todavia, em certificar-se que Paulo fora iluminado pelo alto, ao proferir aquelas palavras. O cônego Carboni, chamado a Portugal por negócio urgente. desistiu da fundação. Decorridos muitos anos, Domingos, que não tinha filhos, deliberara legar os bens ao usais jovem de seus irmãos, a fim de proporcionar-lhe digno matrimônio, mas morte repentina o arrebatou. Resolveu, então, de acordo com a esposa e o cônego Nicolau, seu irmão, edificar em Corneto um mosteiro para as religiosas de que lhe falara o pe. Paulo na conversa que tiveram sobre o mosteiro de Nossa Senhora das Dores, projeto do cônego Carboni.

Paulo aceitou a oferta, prometendo-lhe as bênçãos do Céu.

Obtida licença do snr. bispo e escolhido o lugar, puseram imediatamente mãos à obra.

Na demolição de alguns velhos prédios, depararam, pintada numa parede, antiquíssima imagem da ss. Virgem. Coisa prodigiosa! A parede ficou reduzida a fragmentos, mas a imagem da Virgem permanecera intata! E' a mesma que hoje se venera no altar da capela do mosteiro.

A construção prosseguia célere, com grande contentamento do servo de Deus, que escrevia a alma piedosa

“Queremos edificar um mosteiro para almas generosas e santas, mortas às criaturas, semelhantes em virtude e mortificação a Jesus Crucificado e à Mãe das Dores. A ss. Virgem será a Abadessa do mosteiro”.