FUROR DO INFERNO

Logo, porém, pressentiu o despeito do inferno, advertindo aos fundadores e exortando-os por cartas a permanecerem intrépidos não obstante as oposições que não tardariam a surgir.

As provações, com efeito, vieram multiplicar os méritos desta santa obra, motivo de júbilo para as pessoas de bem. Os maus, ao invés, zombavam da empresa e de seus autores. Já estava bastante adiantada a construção, quando escassearam os recursos.

Convencido Constantino de que os gastos seriam maiores do que previra, viu-se obrigado a suspender a obra. As murmurações e as mofas aumentavam...

Escrevia-lhe Paulo para o animar:

“Arme-se cada vez mais de grande confiança em Deus; não se amedronte ante as dificuldades. Deus fará milagres. ”

“Prossiga a obra com humildade e pureza de intenção, tendo por objetivo glorificara Deus e preparar um asilo para as puríssimas pombas do Crucificado. Elas guardarão perpétuo luto em memória da sagrada Paixão; de seus corações repletos de amor, brotarão mananciais de lágrimas, bálsamo às chagas do Salvador. Oh! que grande obra! Agradeço a Deus, que o escolheu para empreendimento tão útil à sua glória. Seja humilde.”

“Repita com freqüência: - Nada sou diante de Vós, ó Deus!”

Recomeçou Domingos a construção, com muita coragem. Prestes a concluí-la, foi ter com o snr. bispo para firmar o contrato em que legava ao mosteiro, depois da morte, todos os seus bens, e dava uma renda de quatrocentos escudos anuais, enquanto vivesse.

A renda pareceu insuficiente ao digno prelado: exigia cinqüenta escudos para cada religiosa.

Constantini, que não esperava por essa exigência, ficou perplexo. Para cúmulo de desgraça, sofrera sensíveis perdas em seus negócios, sendo, ademais, escassíssima a colheita naquele ano. Teve, pois, de interromper os trabalhos.

Com tais contratempos, queria N. Senhor acrisolar-lhe a virtude e a todos patentear o seu poder, como o santo predissera.