NOVOS OBSTÁCULOS

Tudo estava concluído. Faltava apenas abrir o santo asilo às castas pombas, que, de asas estendidas, aspiravam alçar o vôo para o Calvário.

No entanto, o snr. bispo de Corneto continuava a exigir renda superior às posses de Constantini.

Paulo, do leito de dor, recorreu à generosidade de Clemente XIV que autorizou a seu tesoureiro, mons. Branchi, mais tarde fumo Pontífice, com o nome de Pio VI, que destinasse às religiosas da Paixão uma renda anual de trezentos escudos.

Superados todos os obstáculos, marcou-se o dia da inauguração do mosteiro. Dez jovens, impacientes por ocultar-se à sombra da Cruz, já estavam em Corneto. Receberam-nas com muita caridade, honra e generosidade.

Faltava, todavia, a que devia governá-las como primeira Mãe e mestra.

Uma princesa de Roma, senhora de grande piedade, viúva havia alguns anos, desejava tomar o santo hábito da Paixão. Aconselhara-se com Clemente XIV, que se alegrou com a resolução da princesa, animando-a a consagrar-se a Jesus Crucificado, constituindo-a, com um Breve, Superiora do novo mosteiro e autorizando-a a fundar outros.

E a profecia do santo Fundador de que a primeira Superiora, a pedra fundamental desse edifício sagrado seria a irmã Maria Crucifixa?

A solenidade da tomada de posse do mosteiro estava fixada para o dia seguinte ao de QUASIMODO, para, o qual, naquele ano, fora transferida a festa da Anunciação.

O pe. João Maria, delegado do santo Fundador então enfermo, já se encontrava em Corneto.

Imensa multidão acorrera dos lugares vizinhos para assistir o edificante espetáculo.

Tudo estava pronto para a cerimônia e a princesa não chegava...

Mudara, não se sabe porque, de resolução, indo encerrar-se num mosteiro de Narni.

Paulo, ciente por inspiração do alto, do que devia acontecer, disse ao enfermeiro que o assistia:

“Essa pessoa não irá a Corneto. Ela mudou de parecer. A cerimônia não se realizará”.

Buais seriam as murmurações, as críticas e as mofas do povo ludibriado em suas esperanças; a perplexidade das piedosas postulantes, vindas de tão longe com a única aspiração de separasse do mundo quanto antes, a aflição dos pais, não sabendo se as deviam deixar ou reconduzi-las para casa

O pe. João Maria partiu imediatamente para Roma a fim de relatar o sucedido ao santo Fundador. Ficou estupefato ao ver que o santo, nada ignorando, interrompeu-o logo às primeiras palavras:

“Vá, vá imediatamente ao Sumo Pontífice e relate a Sua Santidade a deserção da princesa, nomeada com autoridade apostólica como fundadora e superiora do novo Instituto e solicite nova permissão para a tomada de hábito daquelas pobrezinhas”.

O Papa, surpreso por esse incidente, que ninguém poderia prever, ordenou que se expedisse sem mais um Rescrito, pelo qual concedia ao Vigário Capitular faculdade de proceder, sem tardança, à inauguração do mosteiro e à tomada de hábito das postulantes. Por outro Rescrito permitia a Maria Crucifixa Constantini passar da Ordem de São Bento à Congregação da Santa Cruz e Paixão de Jesus Cristo, para dirigir as novas religiosas, como Superiora e Mestra da disciplina regular. Cumpria-se assim a profecia do santo. A venerável Madre Maria Crucifixa morreu em odor de santidade, porém a Igreja ainda não se pronunciou. Conserva-se o seu retrato no convento dos santos João e Paulo, em Roma. Nas feições fortes e enérgicas, percebe-se uma alma grande, nobre, elevada, generosa, da família das ilustres fundadoras, tais como as Teresas e as Chantais.