DOAÇÃO DO RETIRO DOS SANTOS JOÃO E PAULO

O Papa não se esquecia da promessa feita ao servo de Deus, de doar à Congregação um convento e uma igreja em Roma.

Estava novamente de partida para Castel-Gandolfo, quando recebeu a visita do Procurador Geral que, em nome de Paulo, fora apresentar-lhe os votos de feliz veraneio. No decurso da audiência, perguntou-lhe Sua Santidade se de fato tivera o pe. Paulo um mano chamado João, fiel companheiro de sua vida religiosa. Como recebesse resposta afirmativa, replicou:

“JOANNES ET PAULUS...”

João e Paulo... e calou-se.

De volta a Roma, transferiu os Lazaristas, encarregados de pregarem retiros espirituais aos ordinandos, ao noviciado de Santo no monte Cavalo, lugar mais consentâneo com suas incumbências e no dia 6 de dezembro do mesmo ano de 1773, entregava aos Passionistas a basílica e o convento doa Santos João e Paulo.

Trinta anos antes (1743), Paulo e Tomás Struzzieri, que já conhecemos, dirigiam-se à basílica de São João de Latrão. Ao entrarem na praça dos Santos João e Paulo, no monte Célio, deteve-se de repente o servo de Deus e, voltando-se para Struzzieri, perguntou-lhe

“Que igreja é esta? Quem habita este convento?”

Depois da resposta do companheiro, replicou:

“Ó Deus! minha casa!... Esta casa é minha!... Aqui devo morrer!...”

Struzzieri percebeu que o Santo estava extático, mas não compreendeu, então, o significado de suas palavras.

Quando, à noite, regressou à casa, interrogou ao pe. Francisco Casalini, seu amigo, a que poderia ter aludido o pe. Paulo com aquelas palavras enigmáticas. Este, após várias conjeturas, concluía que provavelmente Paulo predissera a união dos Passionistas com na Padres da Missão. Casalini assim julgava levando em consideração as grandes dificuldades que se opunham ao estabelecimento do novel Instituto.

Com a entrega do convento ao servo de Deus e ainda mais quando, depois de sua morte, depositaram-lhe os despojos na basílica, reconheceram o significado daquelas palavras.

Apesar da revelação, jamais o Santo deu um passo para obter aquela casa; jamais falou a respeito com o Santo Padre, nem sequer quando Sua Santidade lhe prometia um retiro em Roma.

Eis os agradecimentos do Santo:

“Regozijo-me diante de Deus por ter V. Santidade fundado na Metrópole do mundo uma casa, em que se há de pensar continuamente na sagrada Paixão de N. Senhor. Essa fundação será perante toda a Igreja monumento da piedade e do zelo com que V. Santidade propagou a devoção à sagrada Paixão de Jesus Cristo, a fim de que todos a pratiquem até a consumação dos séculos...”

Promete, apesar dos achaques, esforçar-se por celebrar diariamente a santa missa e, acrescenta

“Além dos votos, que dia e noite dirijo ao Altíssimo por V. Santidade, faço-o também no santo altar e isto, parece-me, com mais eficácia: no momento em que deixo cair a santa partícula no cálice, deposito o piedosíssimo coração de V. Santidade no precioso Sangue do Redentor. Desejo que ele se embeba bem nesse Sangue divino, a fim de produzir muitíssimos frutos de vida eterna entre os fiéis de Jesus Cristo.”

“Sinto-me animado, mais do que nunca, da maior confiança, e consola-me imensamente o coração o saber que o ALTÍSSIMO COBRIRÁ V. SANTIDADE COM SEU SOBERANO AMPARO E QUE A SANTÍSSIMA VIRGEM TE-LO-Á ENCERRADO E BEM GUARDADO EM SEU PURÍSSIMO CORAÇÃO”.

Como são comovedoras estas últimas palavras!

Veremos como foram ouvidas as continuas e fervorosas preces de Paulo em prol de um PAPA MANSO E AFÁVEL POR NATUREZA, no sentir de todos; Papa, a quem cruéis perseguições precipitarão logo no sepulcro, mas o Céu COBRIRÁ DE PROTEÇÃO EXCEPCIONAL na suprema agonia.