NO NOVO RETIRO

Paulo vai transladar a pequena comunidade do Santo Crucifixo para a basílica dos Santos João e Paulo.

O cardeal Boschi, titular do templo, feliz por receber a um Santo, acolhe-lo-á com toda a solenidade. Aos 10 do mesmo mês enviou ao Santo Crucifixo dois de seus mais belos carros, com empanados trajados de rica libré e com ordem de obrigarem a Paulo aceitar toda aquela suntuosidade. Não podia resolver-se a isto o humilde servo de Deus. Teve, no entanto, que obedecer. Durante o trajeto, choravam, louvando e agradecendo a Deus, ele e seus filho..

A augusta basílica inspira profundo respeito, pois ali se pisa berra embebida do sangue dos mártires.

O primeiro ato do santo ancião, apenas pôs os pés naquele santuário, foi um cântico de reconhecimento e de amor; prostrou-se ante o altar do Santíssimo, adorou o Deus da Eucaristia com a mais doces efusões de sua alma, venerou as relíquias dos santos mártires e deu princípio àquele cântico eterno, a que respondem os concertos dos Anjos.

A vetusta basílica, Tabor de sua imortal transfiguração, é consagrada aos santos mártires João e Paulo, dois irmãos, oficiais da corte de Constância, filha do grande Constantino.

Em vão persuadia-lhes Juliano Apóstata a que renunciassem a fé de Cristo. O infeliz traidor fê-los degolar secretamente na mesma casa dos heróis. No ano de 1887, graças ao entusiasmo e assíduo trabalho do pe. Germano de Santo Estanislau, Passionista, arqueólogo insigne, descobriu-se sob a atual basílica, a casa dos santos João e Paulo.

Todas as dependências são decoradas com ricos FRESCOS do IV século da Era Cristã, de grande valor artístico, apreciadíssimos pelos sábios contemporâneos.

Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, depara-se-nos a feliz mudança das idéias e dos costumes pagãos nos costumes e idéias cristãs.

Quem desejar mais pormenores deste santo lugar, consulte a magnifica obra escrita pelo sábio arqueólogo Pe. Germano, intitulada:

“La Casa Celimontana dei Martiri Giovanni e Paolo”.

No século quarto, são Pamáquio, senador romano, da família dos Gracos e dos Cipiões, transformou a casa em igreja, fundando contíguo ao templo um mosteiro sob as Regras de são Pacômio. Morta sua esposa Paulina, filha de santa Paula, para lá se retirou.

Tornou-se o senador humilde monge; após uma vida de grande perfeição, foi seu corpo depositado ao lado da sepultura dos santos mártires.

A basílica, onde são Gregório pronunciou uma de suas homílias, é grande, bela, possui três naves, enriquecidas de pavimento de mosaico, de pinturas de Pomarâncio, de colunas de granito, de leões de pórfiro, de monumentos funerários de mármore branco, onde dormem, na Comunhão dos Santos, diversos cardeais, bispos, sacerdotes e outros ilustres personagens.

As relíquias dos santos João e Paulo jazem debaixo do altarmór em rico sarcófago de pórfiro.

À esquerda da capela-mór, nas grandes solenidades do centenário do nosso Instituto e na canonização do Fundador, vimos inúmeros peregrinos de todas as partes do mundo, de toda as condições sociais, do humilde aldeão e da ingênua mulher dos Campos Romanos, das Marcas, da Úmbria e de Nápoles, às nobres senhoras e cavalheiros, sacerdotes, bispos e cardeais, todos prostrados ante as preciosas relíquias de um pobre religioso, vistas através do vidro, debaixo do altar, com o santo hábito da Paixão, a Cruz de Missionário no peito, o livro das Regras na mão.

Invocavam a SÃO PAULO DA CRUZ!

Como estávamos alegres ao deparar ali, especialmente os nossos sacerdotes, os nossos bispos, os nossos cardeais de França! Vários deles, com comovente benevolência desejavam para suas dioceses os filhos de são Paulo da Cruz.

O convento tem um não sei quê de majestoso, que se harmoniza admiravelmente com a oração e o silêncio.

A comunidade é numerosa.

Uma das alas do edifício destina-se aos exercitantes, sacerdotes ou leigos, que em todas as épocas do ano lá vão ter, em grande número, para o retiro espiritual.

Além do jardim, bastante espaçoso, há o antigo VIVARIUM ou vasta caverna aberta na rocha, onde permaneciam os animais bravios, destinados aos combates do anfiteatro e à arena do Coliseu, toda semeada de galerias subterrâneas.

Sobre essas grutas formidáveis, diz piedoso peregrino, achavam-se as prisões destinadas aos cristãos e aos facínoras, cujos suplícios e morte serviam de diversão ao povo romano. Nada conheço de mais pavoroso que o aspeto daqueles lugares, vistos à luz da tocha do CICERONE, que nos dirigia.

E aumenta-se-nos o horror ao pensarmos nas atrocidades assinaladas nos últimos dias do paganismo. E semelhante civilização encontrou e ainda encontra apologistas e admiradores!...

Do jardim descortina-se um dos mais formosos e, ao mesmo tempo, dos mais santos panoramas do mundo: ali bem perto, o Coliseu, o Fôro, o Capitólio e as basílicas sem número com suas resplandecentes cúpulas, dominadas soberanamente pela basílica de São Pedro. Numa palavra, Roma toda está à nossa vista.

Mais além, os Campos Romanos, que já descrevemos das alturas de Montecavi, onde o nosso convento aparece de improviso como floco de neve perdido no azul dos céus.