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A saúde do Pontífice, para quem a tiara fora verdadeira coroa de espinhos e o trono pesada
cruz, estava muito abalada. Crudelíssimas perseguições de diversos potentados da terra,
dilacerando-lhe a alma, feriram-no de morte.
No dia 10 de setembro, perderam a esperança de salvá-lo. Paulo, a tal notícia, desejou voar
à cabeceira do querido e santo enfermo, mas, sobrevindo-lhe grande indisposição, pôde
apenas rezar e chorar pelo Pontífice.
Lágrimas fecundas! potentes orações, que subiram ao trono de Deus!
O Santo dissera ao Papa que O SENHOR O COBRIRIA COM SEU SOBERANO AUXÍLIO
E A SS. VIRGEM O ESTREITARIA AO MATERNO CORAÇÃO.
Com. efeito, Deus enviou para suavizar e consolar a suprema agonia de seu representante na
terra, a um de seus servos mais queridos, o grande devoto de Maria: santo Afonso de
Ligório.
Com admirável resignação e singular piedade recebeu os últimos sacramentos, respondendo
às orações da encomendação da alma. Pouco depois, no dia 22 de setembro de 1774, entre
oito e nove horas da manhã, Clemente XIV entregava a Deus sua santa alma.
Os Passionistas jamais olvidarão a este insigne Pontífice, que muito amou e favoreceu a
humilde Congregação fundada por são Paulo da Cruz, estabelecendo-a solidamente na Igreja
com sua autoridade apostólica.
Paulo ficou inconsolável. Suas orações e lágrimas em prol do falecido pareciam
inesgotáveis. Mandou que se expedissem cartas circulares, ordenando que em todas as casas
do Instituto se celebrassem solenes ofícios fúnebres.
Durante o ofício e a missa celebrados na basílica dos Santos João e Paulo o servo de Deus,
penetrado de dor, orava, sentado em sua cadeira de braços, ao pé do cadafalso, como órfão
do melhor dos pais. De volta à cela, não quis receber a ninguém nem mesmo a um sacerdote
amigo, dizendo que não era tempo de falar, mas de orar e chorar. De repente, porém,
notou-se-lhe estranha mudança: cessaram as lágrimas, dissipou-se a nuvem de tristeza que
lhe cobria a fronte e exclamava, jubiloso:
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“Hoje é festa! Hoje é festa!”
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Dirigindo-se ao secretário, acrescentou:
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“Vá dizer ao pe. Reitor
que mande passar uma pitança a mais”.
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Todos se persuadiram de que Deus o consolara, revelando-lhe a glória do amado Pontífice.
Aliás, era essa a maneira de exprimir-se, ao saber que alguma alma ingressara no paraíso.
Costumava dizer:
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“Hoje, sim, hoje há grande festa no Céu...”
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