|
O novo Papa recolheu, na herança de Clemente XIV, como precioso legado, singularíssimo
afeto ao venerável Fundador e a seu Instituto. Uma de suas primeiras visitas foi ao nosso
santo.
Aos cinco de março, primeiro domingo da Quaresma, depois de adorar o ss. Sacramento na
basílica, encaminhou-se para a cela do servo de Deus. Avisaram-no e ele, todo confuso,
pôs-se a exclamar
|
“Como! como! visitar ao último dos filhos da Igreja!... O Soberano Pontífice, o Vigário de
Jesus Cristo na terra vem visitar-me!...”
|
|
Quando Sua Santidade entrou na cela, aumentaram-se-lhe as lágrimas. Tirou o solidéu e, com
acento de voz que somente a fé pode inspirar, falou ao Santo Padre:
|
“SS. Padre, como se dignou V. Santidade visitar o último membro da santa Igreja?!”
|
|
Estas palavras comoveram profundamente a Pio VI, que o beijou na fronte e mandou que se
cobrisse. E como o Santo não se resolvia a fazê-lo, o Santo Padre tomou-lhe com bondade
das mãos o solidéu, beijou-o e colocou-lho na cabeça. Vencido pelo respeito, Paulo o retira
e o Pontífice torna a colocar-lho na cabeça:
Sempre a chorar, continuou:
|
“Santo Padre, quando faleceu o predecessor de V. Santidade, de feliz memória, eu chorava
por considerar-me órfão; agora não, não, já não sou mais órfão: tenho um pai... e que pai,
meu Deus!”
|
|
As testemunhas dessa cena não se podiam conter.
São Vicente Strambi, que estava presente, assim se exprime:
|
“Belo exemplo de bondade, de caridade, humildade, verdadeiramente digno do Vigário de
Cristo, o mais humilde, o mais afável e o mais amante dos homens!”
|
|
Pio VI esteve com Paulo cerca de quinze minutos, em familiar conversa, pondo-se a seu
inteiro dispor em qualquer circunstância, indicando por mediador a mons. Frattini, ali
presente, nomeado, havia pouco, seu Prelado doméstico.
Paulo pediu-lhe desculpas por não poder inclinar-se para beijar-lhe os pés. Sua Santidade
quis consolá-lo. Apoiou uma das mãos na parede e colocou o pé na pobre cama do Servo de
Deus, que, com todo o ardor de sua fé e de sua piedade, o beijou e o banhou de lágrimas.
Pio VI retirou-se, enternecido.
|
|