ROSA CALABRESI

Uma outra visita cheia de interesse e de encanto, preparada, sem dúvida, por Deus, revela-nos melhor a alma de Paulo da Cruz, que se vai iluminando sempre mais, à medida que se aproxima dos esplendores eternos.

Uma jovem, natural de Cervéteri, chamada Rosa Calabresi, alma pura e cândida, experimentou, na idade de 18 para 19 anos, os suaves atrativos do celeste Esposo, chamando-a à perfeição. Ciente de que não poderia, sem guia experimentado, corresponder ao chamamento divino, recorreu à oração. E se lhe apresentou ao pensamento o nosso santo.

Não o conhecia pessoalmente, mas ouvira referir grandes coisas a respeito de seu zelo e caridade.

Cheia de confiança, escreveu-lhe, manifestando-lhe o estado de sua alma e suplicando-lhe se dignasse tomá-la sob sua direção.

Paulo aceitou a incumbência e começou a dirigi-la pelas veredas da contemplação, até a união mística com Deus.

A começar de então estabeleceu-se entre essas duas grandes almas ininterrupta correspondência epistolar.

O Servo de Deus dirigiu-a durante 10 anos sem a conhecer pessoalmente; nada obstante, penetrava-lhe todos os segredos da alma.

Logo depois de se entregar à direção de Paulo, viu-se Rosa atormentada por sérios temores acêrca da salvação. Resolvera fazer confissão geral, mas apenas depositava confiança no servo de Deus. Estando em tais perplexidades, uma carta de Paulo vem restituir-lhe a luz e a paz de que necessitava

“Louquinha de Jesus, dizia-lhe, afaste imediatamente toda idéia de confissão geral”.

De outra feita, um missionário passionista, grande servo de Deus, pregava em Trevignano, nas vizinhanças da localidade em que Rosa morava. Ardia a piedosa virgem do desejo de ouvi-lo, mas seus irmãos impediram-na de ir a Trevignano. Caiu Rosa em profunda tristeza. Por revelação divina soube Paulo da pena que a torturava e escreveu-lhe:

“Quanto melhor seria se consagrasse à oração essas horas passadas em gemer inutilmente...”

A jovem já escrevera quatro cartas ao servo de Deus, sem manifestar, por temor, um escrúpulo que a atormentava. Eis as palavras de Paulo

“Já seria tempo de dar-me por escrito o que a inquieta e não continuar a ocultá-lo no coração, tranqüilizando-se uma vez por todas”.

E declarando-lhe abertamente a causa de suas ansiedades, dizia-lhe provirem do demônio, exortando-a a viver na paz e alegria do divino Espírito Santo.

Que espetáculo admirável! Afigura-se-nos contemplar dois serafins cantando as maravilhas do divino amor. Admiramos ademais as secretas disposições da Providência que, desta maneira, nos revelou os prodígios de sua graça em Paulo da Cruz, prodígios que, não fora essas confidências, ficariam ignorados.

Rosa, depois da morte do servo de Deus, dar-nos-á testemunho jurídico de fatos extraordinários, últimos clarões, porém de brilho extraordinário, desse sol prestes a esconder-se no ocaso da eternidade, para lá resplandecer com novos fulgores. Narraremos esses fatos no capítulo seguinte.