DOTES NATURAIS

Grave, majestoso e cortês a um tempo, inspirava confiança, incutia respeito, atraindo para Deus os corações. De sua pessoa exalava-se como um perfume de piedade, que excitava devoção. Tudo nele respirava perfeita harmonia: porte esbelto, compleição robusta, sensibilidade, amabilidade, distinção e encanto; fronte espaçosa, olhar vivo e penetrante, donde, no púlpito, jorravam relâmpagos, suavizados, contudo, pela bondade e pela modéstia; voz sonora e insinuante, passo majestoso.

Possuía alma ardente e nobre; inteligência lúcida, vasta e profunda; memória fiel, vontade resoluta e perseverante; coração terno, sincero e generoso.

Clemente XIV, ainda cardeal, ao vê-lo pela primeira vez, admirado, exclamava:

“Encontrei no pe. Paulo um homem TALHADO À ANTIGA”.

Com efeito, pertencia à família das grandes almas.

A Igreja, juiz infalível, colocou-o ao lado dos grandes legisladores monásticos, sobre cujas frontes o gênio funde seu brilho com os esplendores da santidade: os Elias, as Teresas, os Bentos, os Domingos, os Franciscos de Assis, os Inácios, etc.

A vivacidade e a paciência, a força e a doçura, a prudência e a simplicidade, numa palavra, qualidades as mais opostas associavam-se, em altíssimo grau, em Paulo da Cruz. Preparara Deus esta natureza para a missão a que a destinara.

De que necessita, com efeito, um Fundador, especialmente em época de implacável guerra contra as Ordens religiosas?

Temperamento possante, a que nada consiga desalentar, nem as dificuldades do empreendimento, nem o ardor de incessantes combates, nem o mesmo tempo, que é necessário saber esperar.

A vida de são Paulo da Cruz é continuada série das mais heróicas virtudes. Este belo astro, desde o seu nascer, lançou vivo esplendor e, na trajetória de sua existência, aumentou sempre de brilho, sem um eclipse sequer.

Vamos agora reunir alguns raios esparsos de suas mais belas virtudes.