EM DEUS TODA SUA ESPERANÇA

Se a fé de Paulo era admirável, não o era menos a sua esperança.

Dizia considerar-se uma criança a quem a mãe sustivesse no alto de uma torre. Ninguém temeria que ela a lançasse no abismo.

“Assim, acrescentava Paulo, confiante, não posso persuadir-me de que Deus me deixe cair nos abismos infernais”.

Essa a razão por que descansava, em perfeito abandono, nos braços da divina Misericórdia. Sustentado por essa esperança, fruía dulcíssima paz e inalterável serenidade. Nada o desanimava. Quando se lhe afigurava tudo perdido, redobrava de confiança:

“Tudo está contra nós. Oh! como isto me alegra... Deus ser-nos-á favorável em proporção às perseguições”.

Em se tratando da glória de Deus e dos interesses da Congregação, seu valor, ardor e constância não conheciam limites. De feito, quantas fadigas, quantas humilhações e dissabores não suportou, pelo espaço de 47 anos, para o bem do Instituto?!

Se, quando de sua primeira viagem à Cidade eterna, perguntassem ao jovem solitário, qual o motivo que o fazia percorrer, descalço e tão mal aparelhado de roupa, distância tão longa e ele respondesse:

“que tinha em mira fundar uma Congregação de apóstolos que levassem a tocha da fé a todos os recantos do universo”,

não o teriam, por ventura, tomado por louco? E se o jovem insistisse, certamente o interrogariam:

“Quais são os vossos protetores em Roma? quais os vossos companheiros? quais os recursos de que dispondes? vossa ciência, vosso talento?”

“Não possuo protetor, nem amigo, nem companheiros, nem dinheiro, nem ciência... Vou a Roma porque Deus assim mo ordenou; conto unicamente com sua proteção”.

Que deduziriam de uma tal resposta? Este jovem ou estava animado de heróica confiança em Deus, ou era presunçoso, guiado por quiméricas ilusões.

O fato é que Paulo, levando de vencida tildas as dificuldades, conseguira estabelecer a grande obra. Doze retiros de religiosos e o convento das filhas da Paixão são o atestado de seus sacrifícios e, sobretudo, de sua ilimitada confiança em Deus! Inúmeras vezes, é do Santo a expressão, ele via essa obra sustentada por um fio, e jamais desanimou!

“Vereis, exclamava com toda confiança, vereis! Eu sei o que será desta Congregação”.

Contava unicamente com o poder de Deus, embora insignes personagens, sacerdotes, bispos, cardeais, Papas, lhe oferecessem seus préstimos, sua influência e seu dinheiro.