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Falemos algo de sua caridade. Pelos fatos narrados no decorrer desta biografia, sai-nos
expontâneo do peito o brado: Que serafim de amor!
Paulo se transformara pela caridade em Jesus Crucificado. Podemos compará-lo aos
Franciscos de Assis, aos Felipes Néri, às Teresas de Jesus.
O amor de Deus é o princípio e medida do amor do próximo.
Jesus Crucificado, ao apossar-se de uma alma, não entra só, mas a humanidade em peso,
encerrada em seu sagrado Coração. Eis a razão por que ateia na alma amor inestinguível e
universal, compaixão ilimitada a todas as dores, a todos os infortúnios, a fadas as
indigências; compaixão ardente, generosa, que arrasta ao sacrifício, à imolação, a fim de
lenir todos os sofrimentos. Essa a caridade de Paulo da Cruz.
Viveu para a humanidade, porque viveu para Deus. Anelava, embora ao preço do próprio
sangue, outorgar a todos os verdadeiros bens, a luz, a verdade, a paz, o Céu, Deus!
Por uma alma, como o divino Mestre, subiria ao Calvário e, como o grande Apóstolo das
Gentes, consentiria em ser ANÁTEMA POR SEUS IRMÃOS (Rom. 9, 3).
Os Santos são os verdadeiros amantes dos pobres. Somente eles possuem o segredo da
verdadeira caridade que sabe dar e sabe dar-se.
Paulo era paupérrimo, mas sabia tirar da sua indigência algo para os mais indigentes. Em se
tratando de alimentar os membros sofredores de Jesus, padecia fome.
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“Dai aos pobres a minha sopa, dizia, dai-lhes outrossim a minha quota de pão. Eu não a
mereço, por ser pecador”.
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Quando idoso, arrastava-se à portaria para entregar pessoalmente aos pobres a esmola.
Punha-se de joelhos ante eles e, com a cabeça descoberta, suplicava-lhes chorando que
comessem. Animava-os em seguida a sofrer com paciência, por amor de Deus, as agruras da
indigência. Dizia-lhes:
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“Coragem, pobres de Jesus Cristo, o paraíso é dos pobres. Infelizes dos ricos, porque suas
riquezas, se não forem empregadas em Mas obras, servir-lhes-ão de maiores tormentos no
inferno!”.
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Aos religiosos dizia:
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“Fitai a fronte dos pobres e lá vereis gravado o Nome de Jesus...”.
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Exigia que nossos retiros socorressem a todos os pobres que se apresentassem. Em tempo de
carestia exortava aos religiosos que multiplicassem as mortificações para auxiliar os
necessitados, tomando parte em suas penas. A generosidade dos filhos alegrava
sobremaneira o coração do pai.
Era todo delicadeza para não humilhar a indigência envergonhada. Em se tratando da
inocência, exposta pela pobreza ao naufrágio, realmente engenhosa era a sua caridade.
Recebera de esmola uma moeda de ouro. De volta à casa, duas jovens pedem-lhe algum
auxilio e o Santo, sem mais, entrega-lhes o pequeno tesouro, recomendando-lhes a modéstia
e a devoção à sagrada Paixão de N. Senhor.
Para dotes de casamento, dava às donzelas pobres os móveis dos conventos e o dinheiro
necessário.
Em Orbetello, uma senhora moribunda estava para deixar desamparada e na maior penúria a
filha única. O coração de Paulo compadeceu-se do perigo da filha e da aflição da mãe. Dizia
ao pe. Fulgêncio de Jesus
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“Oh! como desejaria socorrê-la!”
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Na noite seguinte apareceu milagrosamente à enferma e a curou.
Nas missões, a voz do apóstolo perorava a causa dos pobres, chegando a esmolar às portas
dos ricos para aliviar a miséria dos favorecidos da fortuna.
Era o Anjo consolador de todas as enfermidades, aflições e pena. Não pregava missão sem
levar aos hospitais e às prisões o bálsamo da caridade de Jesus Cristo.
Socorria também, com preces incessantes banhadas no Sangue do Redentor, as almas do
purgatório. Com que ternura falava cie seus sofrimentos e com que zelo excitava a todos,
particularmente aos seus religiosos, a apressarem a libertação daquelas almas.
As pobrezinhas apareciam-lhe freqüentemente, tristes e desoladas, solicitando o auxílio de
suas orações. Mutiplicava então as preces e as austeridades.
Citemos um fato narrado pelo próprio Paulo a Rosa Calabresi.
Recomendara a certo sacerdote se emendasse de alguns defeitos; infelizmente, porém, de
nada adiantou a recomendação. Uma noite, no retiro do Santo Anjo, ouve forte pancada à
porta do quarto onde repousava. Pensando que fosse o demônio que vinha incomodá-lo,
gritou Paulo:
Passados alguns instantes, nova pancada se fêz sentir. E Paulo
de novo
A terceira vez achou que não devia ser o demônio e respondeu:
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“Em nome
de Deus eu te ordeno me digas quem és e o que queres”.
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Responde-lhe uma voz aflita:
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“Sou o
padre N.; morri esta noite às seis e meia, - naquele tempo as horas começavam ao pôr do
sol-, e fui condenado ao purgatório por causa daqueles defeitos de que v. revma. diversas
vezes me avisou. Ai! que sofrimentos! Parece-me que faz milhares de anos que estou no
purgatório!”
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Paulo consultou o relógio; eram seis e três quartos.
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“Faz apenas um quarto de
hora que expirou e já lhe parecem milhares de anos?”
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“Sim, parecem-me milhares de anos!”
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Movido de compaixão para com aquela alma, toma da disciplina e se flagela com grande
fervor. Não recebendo nenhum sinal de libertação, repete a disciplina e reza fervorosamente.
Deus lhe dá a entender que essa alma será libertada no dia seguinte. Pela manhã, na santa
missa, à hora da comunhão, vê-a circundada de luz, subindo à glória do Céu.
Tem-se dito que a gratidão é a flor da caridade; ela brilha, pois, sobretudo nos santos.
Sensível ao menor benefício, Paulo era gratíssimo para com os benfeitores.
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“Parecia, diz
uma testemunha, querer dar aos benfeitores o mundo todo e os primeiros lugares no céu”.
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Ordenou que em todos os retiros se cantasse missa na intenção dos mesmos nas festas de
segunda classe. Recomendava-os, sensibilizado, às orações dos religiosos, especialmente
quando enfermos ou quando os negócios lhes iam mal. Era de ver a caridade e a ternura com
que os acolhia no retiro! Visitava-os freqüentemente nas enfermidades e os assistia na última
agonia.
Os benfeitores falecidos eram objeto de especiais cuidados do santo Fundador. Multiplicava
as orações, a fim de que pudessem quanto antes gozar da glória celeste. Prescreveu nas
Regras orações diárias para eles, além de uma missa mensal com o oficio dos defuntos e de
uma missa cantada dentro da oitava de Finados.
Descrevemos os milagres por ele operados em prol dos nossos benfeitores Grazi,
Constantini, Frattini, Angeletti, Suscioli e outros.
Nutria afeto particular pelos inimigos, pelos perseguidores da Congregação e até pelos que
tentaram assassiná-lo. As injúrias Paulo as considerava assinalados favores e títulos
especiais para a sua benevolência. Caluniado, certa vez, não quis justificar-se, dizendo
apenas:
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“Agora assiste-me a obrigação de rezar por eles”.
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Acusado perante o Santo Padre de difundir erros contra a fé, de fomentar cismas e de usurpar
direitos alheios, jamais abriu a boca para defender-se e, quanto dependeu de si, sempre
impediu que outros o fizessem, imitando o divino Mestre que não pronunciou palavra em.
defesa de sua inocência.
Numa viagem a Roma, foi injuriado por uma pessoa que perdera o espirito de sua vocação.
A mansidão do servo de Deus, longe de acalmá-lo, irritou-o sobremaneira. Lançou-se contra
Paulo, atirou-o ao chão, bateu-o com furor diabólico, sapateando sobre seu corpo. Como
Jesus no Pretório, o Santo tudo suportou em silêncio e sem alterar-se.
Uma só coisa o afligira: a ofensa feita a Deus. Pouco depois, respeitável sacerdote, seu
amigo, o pe. Francisco Casalini, vendo-o pensativo, perguntou-lhe pelo motivo
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“Rezai comigo, respondeu tranqüilamente, por uma alma que corre perigo de perder-se”.
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