|
Quem mais visitava o santo enfermo era Antônio Frattini, seu grande amigo e benfeitor,
prelado doméstico do Palácio Apostólico.
Uma dessas visitas assinalou-se por incidente, que merece ser relatado.
Apenas Frattini entrara na cela, Paulo perguntou-lhe como estava o Santo Padre. Sabendo
que gozava excelente saúde, estático, acrescentou:
|
“Eu me chamo Paulo da Cruz, mas sou da Cruz apenas de nome... com muito mais razão esse
título pertence ao Santo Padre. Diga-lhe da minha parte que se acomode bem sobre a Cruz,
porque terá de estar cravado nela por muito tempo...”
|
|
Ditas estas palavras, inflamou-se-lhe o rosto e torrentes de lágrimas deslizavam-lhe pelas
faces. Voltou-se em seguida para o grande Crucifixo, o mesmo que levava às missões,
prosseguindo com acento de dor profunda
|
“Pobre Igreja! Pobre Religião Católica! Senhor, fortificai o vosso Vigário, dai-lhe luz e
coragem, para cumprir em tudo a vossa santíssima Vontade...”
|
|
Levantou os braços e continuou:
|
“Sim, eu o espero; sim, eu o desejo; sim, eu o quero...”
|
|
Saiu do êxtase, fitou a Frattini e perguntou-lhe:
Este, convencido de que acabava de ouvir lúgubre profecia em relação à Igreja, soube
dissimular, passando a outro assunto.
Frattini não se atreveu a relatar o fato ao Papa, temendo amargurá-lo.
Em 1779, convidado a depor nos processos ordinários, julgou em consciência dever
calar-se, pois, manifestando ao Pontífice a repugnância que experimentava em revelar certas
profecias que a prudência aconselhava silenciar por enquanto, teve por resposta proceder
com cautela e moderação.
Irrompida, em 1789, a revolução francesa, percebeu que a profecia começava a realizar-se e
julgou tudo dever declarar nos processos apostólicos.
O vaticínio cumpriu-se ao pé da letra, quando, para cúmulo de tantas maldades, o Vigário de
Jesus Cristo, joguete de paixões coligadas, faleceu em Valença (França), nas amarguras do
exílio.
Felizmente a oração que Paulo, vinte e quatro anos antes, dirigira a Jesus Crucificado em
favor de Pio VI veio fortificar, qual Anjo consolador, o augusto mártir em seu Calvário!.
|
|