PRECIOSO LEGADO PARA O PAPA

Enquanto fora de Roma aconteciam estes fatos maravilhosos, o nosso santo recebia demonstrações de estima também por parte do Santo Padre. Recebendo do Sr. Frattini a dolorosa noticia, depois de um primeiro momento de pesar, Pio VI exclamou:

“Feliz dele!”

E dirigindo-se a quem lhe trouxera a comunicação:

“Não se entristeça pela morte do pe. Paulo; era grande servo de Deus e não duvidamos de que já esteja no céu. Morres num belo dia, pois se lê de são Lucas que trouxe sempre em sete corpo a mortificação da cruz; e o servo de Deus soube muito bem imitá-lo”.

O Papa deu ordem que o seu sagrado corpo fosse encerrado em dois caixões, um de madeira e outro de chumbo, correndo as despesas por sua conta, em monumento a lhe ser ereto.

Antes de morrer, dispusera o servo de Deus que o quadra de Nossa Senhora das Dores que lhe fora tão caro fosse doada ao Papa em sinal de gratidão filial para com o Vigário de Jesus Cristo.

Pio VI ficou tão satisfeito com o presente, que o mandou colocar numa moldura de prata dourada, com a seguinte inscrição composta por ele mesmo:

“Pio VI Pont. O. Max. effigiem hanc suma a se Religione cultam moriens legavit P. Paulus a Cruce Clericorum excalceatorum Sanctissimae Crucis et Passionis Jesu Christi Fundator”.

Em vernáculo:

“A Pio VI Pontífice Ótimo Máximo esta imagem, venerada com grande devoção, o Pe. Paulo da Cruz, Fundador dos Clérigos Descalços da SS. Cruz e Paixão de Jesus Cristo, ao morrer, deixou como legado”.

“A Pio VI, Sumo Pontífice, o pe. Paulo da Cruz, Fundador dos Clérigos descalços da SS. Cruz e Paixão de N. 8. Jesus Cristo; legou, ao morrer, esta imagem por ele sumamente venerada”.

Tal foi a estima do Papa por essa imagem, que a colocou-os pés do Crucifixo de sua capela particular e, quando passava do Quirinal ao Vaticano, levava-a consigo. Será dos pés desse quadro e dessa cruz que o executor da sacrílega violência napoleônica virá arrancá-lo para o exílio, depois de o heróico mártir exclamar, levantando-se com a fronte serena e a coragem no coração:

“Deus o quer!... Vamos!...”