SEPULCRO GLORIOSO

Deus glorificou esse sepulcro, centro de atração para as almas e manancial de inúmeros prodígios.

Contínuos eram as romarias provenientes de toda parte. E Nosso Senhor recompensava a fé dos peregrinos.

Entre os numerosos milagres operados por Deus junto ao sepulcro de seu servo, narraremos apenas os seguintes.

Teresa Leoni, de Uriolo, estava prestes a expirar, pondo outrossim em perigo o fruto que trazia no seio. O esposo, Constantino Gori, escreveu ao pe. Paulo, então enfermo na residência do Santo Crucifixo. Pôs-se o bem-aventurado em oração. Momentos depois respondia ao esposo aflito:

“Confiança, a mãe e a filha que dará à luz superarão todos os perigos”.

Com efeito, Teresa deu felizmente à luz uma criança que em memória do beneficio recebeu, o nome de Paula.

Ao chegar ao uso da razão, diziam-lhe os pais que ela deveria santificar-se, pois tivera por pai e protetor a um Santo.

Logo depois da morte do servo de Deus, Paula, estando com ú anos de idade, foi atacada de sarampo. O mal afetou-lhe especialmente os olhos, transformados em carne viva. Durante seis meses a pequena esteve completamente cega. Todos os remédios foram inúteis. Causavam-lhe alivio a efígie de Paulo sobre os olhos ou o seu solidéu na cabeça.

Numa segunda-feira, entrando a mãe no quarto, disse-lhe Paula

“Mamãe, eu vi o pe. Paulo”.

“Viste a sua imagem”,

respondeu a mãe.

“Não, vi a ele em pessoa, disse-me que na próxima quinta-feira abrirei os olhos”.

“Vamos, explica-te”,

replicou a tremer a pobre mãe, não acreditando no que ouvira.

“O pe. Paulo perguntou-me: Paulinha, conheces-me? - Sim, respondi. - Quem sou eu? - Sois meu pai. -Desejo curar-te: na quinta-feira abrirás os olhos. Não o digas senão à tua mãe”.

Na quinta-feira estava curada, com grande admiração dos médicos. E' de notar-se que a pequena não conhecera o pe. Paulo, nem jamais vira o seu retrato; no entanto, descrevia perfeitamente bem as suas feições. Quando, para certificar-se melhor da verdade, combatiam os pais algumas de suas asserções, ela defendia com persistência o que afirmara.

O cônego Vespasiano de Sanctis, de Soriano, diocese de Terracina, fora atacado de

“cólica miserere”.

Como já sofresse de enorme e perigosa hérnia, perderam a esperança de salvá-lo. O médico ordenou que se lhe administrassem os últimos sacramentos.

Na tarde em que todos supunham morreria, pediu o enfermo um pedaço de pão que ele subtraíra ao pe. Paulo, quando este almoçava em casa dum benfeitor.

Tomou algumas migalhas dissolvidas em água e sem mais entregou-se a profundo sono, que durou a noite toda.

Ao despertar-se pela manhã, estava radicalmente curado. Até a hérnia desaparecera! Desde então nunca mais padeceu desse incômodo.

Madalena Ciancaglioni, de Bieda, diocese de Viterbo, tinha a espinha dorsal inflamada. Sentiu certo dia dores tão fortes, que julgou chegada sua última hora. Possuindo pequena imagem do Santo, toma-a nas mãos e diz

“Pe. Paulo, por caridade, livre-me deste mal; não posso mais”.

No mesmo instante sentiu como mão invisível a tocar-lhe a parte enferma, desaparecendo para sempre as dores.

No convento de Santa Clara, em Castellana, soror Maria Inocência de Jesus achava-se havia muitos anos em tal estado de fraqueza, que não podia seguir os atos da comunidade. Isto muito a afligia. Certo dia, ajoelhada ante a imagem do servo de Deus, exclamou:

“Pe. Paulo, vós que fostes tão amante da Observância regular, obtende-me a graça da saúde, a fim de que possa cumprir as prescrições das santas Regras”.

Mal pronunciara estas palavras, soror Maria sentiu novo vigor, seguindo desde então todos os atos de observância da austera regra de são Francisco, inclusive os mais rigorosos jejuns da Igreja.

E' preciosa a proteção dum santo nas necessidades da vida material mas muito mais o é no que respeita a salvação da alma. Muitos fatos pudéramos referir, que nos demonstram a intervenção de Paulo neste campo imenso e geralmente desconhecido, mas nos limitaremos a um somente.

Venerando Colombo, ourives de Roma, havia muito desejava fazer confissão geral. Dirigira-se para este fim a várias igrejas, mas, por fúteis motivos, sempre a diferia. Por esse tempo, Roma em peso se admirava dos prodígios operados no sepulcro de Paulo da Cruz.

Pensou Venerando encontrar ali tranqüilidade para sua consciência. Aos 22 de outubro de 1775, de joelhos junto à sepultura do Santo, pronunciou as seguintes palavras:

“Pe. Paulo, se sois, como apregoam, grande servo de Deus, obtende-me verdadeira contrição de meus pecados”.

Proferir essas palavras e sentir-se compungido até as lágrimas foi uma só coisa. Pediu um confessor, mas, sendo muito tarde, disseram-lhe que voltasse no dia seguinte. Venerando não pregou olho a noite toda, ouvindo de vez em quando misteriosa voz:

“vai confessar-te nos Santos João e Paulo”.

De madrugada já se encontrava aos pés do confessor. No dia seguinte, de caminho à basílica para terminar a confissão geral, surpreendeu-o forte aguaceiro ao aproximar-se do Capitólio. Na dúvida se devia prosseguir caminho ou tornar atrás, invocou o auxílio do Santo e continuou a andar. Chegado à igreja notou que nem sequer uma gota de água lhe molhara a roupa!

Terminou a confissão e retornou contentíssimo, apregoando por toda parte a santidade do grande taumaturgo.