|
Entre os inúmeros milagres operados por sua intercessão, dois foram aprovados pela
Sagrada Congregação dos Ritos para a sua beatificação.
Vamos relatá-los como se acham nos Processos.
Francisco Maria Giorgi, de Fondi, sofria desde o berço freqüentes vômitos e prolongadas
sincopes, provenientes de aneurisma no coração. À idade de nove anos acometeu-o o tifo.
Desenganaram-no os médicos.
Os pais, conformados com a vontade de Deus, já providenciavam os funerais.
Lembrou-se então o pai de que tinha um fragmento das vestes do nosso Santo. Colocando
alguns fiapos numa colher de água, puseram-se ele e a piedosa esposa de joelhos diante da
imagem do servo de Deus, suplicando a cura do filho. Passados instantes, enquanto a pobre
mãe continuava a orar e a chorar ante a sagrada efígie, entrou o pai no quarto do agonizante
e, som muito esforço, conseguiu fazê-lo beber algumas gotas de água com a relíquia do
Santo.
O enfermo abriu imediatamente os olhos e chamou pela mãe. Correu esta para junto do filho,
apertou-o nos braços, perguntando-lhe o que desejava.
Francisco quer levantar-se e comer...
A ternura sempre temerosa da mãe não se atreveu a satisfazer-lhe os desejos.
O filho insistiu. A mãe, vencida finalmente pelos rogos de Francisco, trouxe-lhe algum
alimento. O pequeno tomou-o com apetite e dormiu tranqüilamente a noite toda.
A mãe, desejando saber se com o tifo desaparecera também o aneurisma, pôs a mão sobre o
coração do filho. Com grande mágoa, percebeu as mesmas violentas palpitações.
|
“Já que me obtivestes a graça de fazê-lo tornar à vida, dignai-vos também livrá-lo deste
mal”.
|
|
Pela manhã, a mãe e o esposo, que era cirurgião, aproximaram-se do menino para
examiná-lo. Também o aneurisma desaparecera!...
Francisco se levantou, vestiu-se por si mesmo, alimentou-se e foi tomar parte nos
divertimentos dos coleguinhas.
Vejamos o outro milagre, não menos portentoso.
A jovem Maria Rollo, de humilde família de Roccasecca, pequena aldeia do reino de
Nápoles, sentia, havia muito tempo, agudíssima dor no peito.
Por sentimento de pudor, não se atrevia a manifestá-lo a ninguém, nem mesmo à mãe.
Pelo fim de julho de 1844, já não podendo suportar a veemência das dores, abriu-se com o
confessor. este animou-a a sofrer com resignação por amor de N. Senhor Crucificado, mas
ao mesmo tempo persuadiu-a a que recorresse aos médicos.
Qual não foi, porém, sua aflição, ao saber que seu mal era um cirro e que se não se
submetesse imediatamente ao tratamento prescrito, devia resignar-se a dolorosa operação ou
a morrer de câncer!
Sendo pobre, não pôde seguir o tratamento. No mês de outubro, os médicos reconheceram
indícios certos de câncer, declarando que o único recurso era a operação imediata. A pobre
jovem não se resolvia a fazê-lo.
A começar desse dia aplicou sobre a parte enferma um fragmento das vestes do nosso santo,
suplicando-lhe a curasse. Entretanto, o mal progredia.
Sobrevieram-lhe freqüentes e horríveis convulsões, dores intoleráveis, cruéis insônias,
fastio por qualquer alimento.
Num sábado, arrastou-se como pôde à igreja, para adorar o SS. Sacramento, solenemente
exposto.
Enquanto se recomendava fervorosamente à intercessão do pe. Paulo, abrasou-se-lhe
extraordinariamente o peito e faltaram-lhe as forças. Julgando chegada sua última hora,
lançou-se nos traços da Providência. Momentos após, reanimou-se e voltou para casa. De
caminho, percebeu que estava curada.
Não quis, todavia, naquela tarde, revelar o milagre. Na manhã seguinte, relatou o milagre a
duas de suas mais intimas amigas. As jovens não puderam conter os transportes de júbilo,
publicando o prodígio e, em companhia da agraciada, renderam vivíssimas ações de graças
ao santo Protetor.
Desde então fruiu perfeita saúde e, havendo contraído matrimônio, amamentou vários filhos.
Enquanto corria o processo concernente a estes milagres, subia ao trono de Pedro o imortal
Pio IX. Após sua volta triunfal do doloroso exílio a que o condenara ingrata e ímpia
conjunção, aprovou o grande Pontífice esses milagres operados pela intercessão de Paulo da
Cruz, inscrevendo-o solenemente, no dia primeiro o de maio de 1853, no catálogo dos
BEM-AVENTURADOS. As sagradas relíquias de Paulo da Cruz foram expostas à
veneração pública. Como a devoção ao grande apóstolo de Jesus Crucificado se estendia
extraordinariamente pela Itália e pelos demais países da cristandade, seus filhos inúmeros
devotos aspiravam por construir elegante e rica capela, que perpetuasse a memória das
virtudes e dos milagres de tão insigne Taumaturgo.
Começaram a reunir o dinheiro necessário para obra tão grandiosa e, logo após a solene
canonização, principiaram-se os trabalhos. Em 1880 a obra estava, incluída. Aos 26 de
abril, festa de são Marcos Evangelista, foram solenemente transladados os restos mortais de
Paulo da Cruz para a nova capela. Lá jazem sob o altar, depositados em belíssima urna de
bronze dourado.
O altar, verdadeira jóia de arte, foi dádiva do egrégio e piedoso Príncipe Alexandre
Torlônia. Pio IX, grande admirador e devoto de são Paulo da Cruz. doou as colunas de
alabastro, que tanto realce dão à capela.
|
|