OS PRIMEIROS COMPANHEIROS

O primeiro a agregar-se a Paulo em sua vida de penitência foi seu irmão João Batista. Aos dois cenobitas juntou-se um jovem chamado Paulo Sardi, cujo recolhimento, espírito de oração e amor ao jejum causavam admiração ao nosso santo, fazendo-o exclamar:

“ Que alma santa! ”

Ambos os postulantes desejavam ardentemente vestir o santo hábito. Aquela ermida pode considerar-se como o berço do Instituto nascente. Ali se plasmavam esses dignos modelos de virtude e perfeição.

Possuíam apenas pequeno quarto. Os móveis consistiam num Crucifixo, numa disciplina pendurada à parede e numa enxerga coberta com uma colcha remendada. Como não pudessem acomodar-se os três em local tão acanhado, Paulo Sardi pernoitava em casa dos pais. Quem iria repousar naquele pobre leito? Ambos os irmãos o recusavam e, após longas orações na igreja, tomavam seu descanso sobre o soalho nu, em uma espécie de cripta, debaixo do altar-mór.

Pendurara Paulo na parte exterior da ermida pequena cesta com a inscrição: ESMOLA PARA OS POBRES DE JESUS. Das ofertas, guardavam apenas um pouco de pão, de que se alimentavam uma vez ao dia, distribuindo o mais aos pobres. Esse escasso e paupérrimo alimento parecia-lhes assaz delicado. Desejavam submeter-se a mais rigoroso jejum. Eis o que escreve Paulo ao venerando antístite, predileto diretor de sua alma

“ Pensei em comer uma só vez cada dois dias, mas esperarei maior inspiração de Deus. Informa-lo-ei de tudo para que se digne abençoar-me ” .

Freqüentemente declinava o dia sem que os solitários de Santo Estêvão tivessem tomado alimento algum.

Certa feita, foi visitá-los Lucas Dánei. Encontrou os admiráveis jovens pálidos e a tremer de frio. Perguntou-lhes se já haviam tomado alguma coisa. Foram obrigados a confessar que até aquela hora nada haviam recebido da caridade pública. Comovido, prometeu enviar-lhes algum alimento. Agradeceram de coração, suplicando-lhe, porém, deixasse ao cuidado da Providência provê-]os do necessário. Lucas, com a autoridade de pai, ordenou-lhes comessem por obediência tudo o que lhes enviasse. Os pobres de Jesus uniram naquele dia à abundante alimentação o mérito do jejum e da obediência.

Paulo, quando deixava o retiro, acompanhado sempre de um dos companheiros, andava todo recolhido e de olhos baixos. Apelidavam-no o ANJO DA MODÉSTIA. A todos saudava com as palavras: LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.