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Desceu a Orbetello. Estava na praça de São Francisco de Paula, a espera de que a divina
Providência lhe proporcionasse algum abrigo onde passar a noite, quando um religioso da
Ordem dos Mínimos, movido de compaixão à vista de jovem tão pobremente trajado, obteve
licença do superior para levá-lo ao convento, tratando-o com muita caridade.
O servo de Deus descortinou no pe. guardião douto e santo religiosa, tomando-o mais tarde
por confessor.
De Orbetello dirigiu-se para Pitigliano, residência ordinária do prelado. Ao atravessar
aquelas inóspitas campinas, indeciso multas vezes sobre o caminho a tomar, implorava de
joelhos o auxílio do Anjo da Guarda, e sempre acertava.
Ao cair do sol chegou a Manciano. Lá encontrou um sacerdote a quem solicitou lhe indicasse
a casa paroquial.
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“
O pároco sou eu, respondeu-lhe rispidamente. Que deseja?
”
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“
Que me desse hospitalidade por esta noite
”
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“
Não! - replicou o sacerdote. - Passam por aqui tantos aventureiros... e basta um para fazer
mal a cem pessoas
”
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“
Sou capaz de cometer todos os crimes, - respondeu com afabilidade o santo, - mas, com a
graça de Deus, espero jamais os cometer
”
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A humildade encerra em si encantos que subjugam os corações. Enternecido por resposta tão
humilde e discreta, recebeu-o o pároco em sua casa, cumulando-o de gentilezas.
No dia seguinte, ao chegar a Pitigliano, soube que o snr. bispo estava em Pienza. Embora
cansado, para lá se dirigiu, percorrendo mais 50 milhas. O prelado, d. Fúlvio Salvi,
acolheu-o com carinho, concedendo-lhe o que pedia.
Dali, sempre mendigando o pão, prosseguiu viagem através da Toscana.
Como de costume, também nesta jornada muito teve que sofrer. Freqüentemente, não
encontrando hospedagem, pernoitava ao relento. Alcançou, finalmente, Piza, donde partiu
para Livorno, em cujo trajeto dois sacerdotes, que deveriam encorajá-lo para a virtude,
cumularam-no de injúrias por seu estranho trajar. E' que para compreender o hábito religioso
e a alta perfeição que simboliza, faz-se mister habitar as altas regiões da fé. Paulo, humilde,
sem responder palavra, não perdeu a paz nem a tranqüilidade, porque vivia absorto na
recordação das injúrias suportadas por Nosso Senhor em sua Paixão. Um nobre cavalheiro
tomou-lhe a defesa, verberando os mofadores:
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“
Que estão fazendo? Por que insultam a este
pobre servo de Deus?... Quem conhece os desígnios do Céu a seu respeito? Quem sabe
quantos companheiros terá um dia?...
”
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Esse elogio, inspirado talvez por luz profética, causou maior aborrecimento ao humilde
religioso do que as afrontas recebidas.
Em Livorno, alojou-se no
onde aos pobres só se dava cama. Para
comer pediu esmola a alguns mercadores. Recebeu de um judeu alguns níqueis, com que
pôde comprar um pouco de vinho e pão. Comeu alguma coisa e guardou o resto.
No dia seguinte, depois cia m isca, encaminhou-se para o porto. Ali, junto de uma fonte,
diante de muita gente, comeu o pão que guardara.
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“
A vergonha que experimentei, dizia mais
tarde referindo o fato, serviu de ótimo tempero
”
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Obteve passagem grátis num vapor que se fazia de vela para Gênova. Deram-lhe um dos
lugares mais incômodos, alimentando-se do sobejo dos marinheiros.
Em Gênova tiveram que fazer quarentena.
Vista do porto, oferece a soberba Gênova aos olhos do observador, especialmente à noite,
sob aquele céu transparente da Itália, quadro verdadeiramente encantador: os jardins
embalsamados do perfume das laranjeiras e das mais belas flores; o murmúrio de inúmeras
fontes, que não silenciam dia e noite; os magníficos palácios de mármore, os cânticos de
festa, o resplendor de mil luzes a reverberar-se nas ondas do mar, tudo concorre para
fascinar e arrebatar imaginações juvenis.
Paulo, embora muito austero, não foi insensível àquele espetáculo e foi assaltado de
profunda melancolia. Mas tudo suportou
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“
por amor daquele Deus que tanto sofreu por nós
”
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