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No primeiro domingo da Quaresma, após haver-se compenetrado dos sentimentos de Jesus
conduzido pelo divino Paráclito ao deserto, expressos no Evangelho da Missa, Paulo e João
Batista partem para o Monte Argentário. Era o dia 22 de fevereiro de 1722. A 10 do mesmo
mês o snr. bispo assinara um atestado de bom comportamento.
Embarcam em Gênova e chegam sem novidades a Civitavecchia, onde são obrigados a fazer
a quarentena até a manhã de quarta feira santa. Nesse dia se dirigem a Portércole, ansiosos
por receber no dia seguinte a sagrada Comunhão, mas o sol já se ocultava no horizonte e eles
ainda estavam nas vizinhanças de Burano, a vinte quilômetros da Montanha.
Naqueles ermos era impossível caminhar à noite, pois o terreno é agreste e semeado de
atalhos. Sem teto e sem pão, deitaram-se na terra nua, sob um espinheiro. Ao levantar-se, aos
primeiros clarões da aurora, estavam banhados de orvalho. Com o corpo enfraquecido, mas
com o espirito alentado pelo desejo de celebrar a Páscoa com Jesus no coração,
prosseguiram apressadamente a viagem. Chegaram em tempo de assistir a Missa solene.
Jesus Sacramentado fez-lhes olvidar os sofrimentos passados e os fortificou para as
provações futuras.
O arcipreste, mons. Antônio Serra, conhecido de Paulo, prodigalizou-lhes afetuosos
cuidados, hospedando-os em sua casa. Após o desjejum, foram à igreja orar ante o santo
Sepulcro. De joelhos, imóveis, passaram o resto do dia, a noite toda e a manhã seguinte,
meditando os tormentos do Salvador.
No decurso de tão prolongada oração, o rosto de Paulo ora se tornava vermelho como brasa,
ora pálido como cadáver. Que opostos sentimentos experimentava aquele coração
enamorado? Ignoramo-lo. Todavia, tais colóquios serviram de excelente preparação à vida
de recolhimento e austeridade que empreenderia muito em breve na vizinha Montanha.
Terminadas as festas pascais, fortim a Orbotello solicitar do governador militar, general
Espejo y Vera, permissão para residir no Monte Argentário. Ao sair da igreja, avistou este
os servos de Deus e lhes perguntou quem eram e donde vinham. Respondeu Paulo com
cativante modéstia
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“
Somos dois irmãos a quem Deus inspirou o desejo de se entregarem d penitência no Monte
Argentário
”
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Comovido o general por aquele aspeto de penitência que distingue os santos, concedeu-lhes
o que pediam. Partiram então para Pitigliano e, recebida a bênção do snr. bispo, puseram-se
logo a caminho da ermida da Anunciação.
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