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Governava a diocese de Tróia, no reino de Nápoles, prelado de rara doutrina e eminente
virtude. Quando recorria à Santa Sé no interesse da diocese, Clemente XI soía dizer:
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“
Devo
contentá-lo; seu saber e delicadeza de consciência não lhe permitem pedir o que não possa
justificar-se pela autoridade e exemplos da antigüidade
”
.
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Inocêncio XIII e Bento XIII
apelidavam-no de santo. Esse venerável antístite era d. Santiago Emílio Cavalieri, tio
materno de santo Afonso de Ligório.
Quando Afonso, na flor da idade, resolveu consagrar-se a Deus, o pai pediu ao bispo o
dissuadisse da idéia do sacerdócio.
Eis a resposta de d. Cavalieri:
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“
Meu querido José, eu também abandonei o mundo e renunciei ao direito de primogenitura
para salvar a minha alma. Vê, portanto, que não posso aconselhar o contrário. Crer-me-ia
condenado
”
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Estas palavras revelam a grandeza de alma do prelado, que se consagrara ao Senhor na vida
religiosa antes de ser elevado à sede episcopal.
Apóstolo infatigável, sacrificava a vida pela salvação das almas. Sua principal devoção e a
poderosa causa motriz de seu apostolado eram Jesus Crucificado e Jesus Eucarístico: a Cruz
e o Altar. Concebera havia muito o mesmo projeto de Paulo da Cruz, a saber: fundar uma
Congregação de sacerdotes consagrados à Paixão do Salvador. Soube outrossim por luz
superna que Deus suscitaria tal Instituto na Igreja. Quem seria o fundador? Ele ou outrem?
Ignorava-o.
Tais eram seus pensamentos quando, por admirável disposição da Providência, os
acontecimentos iluminaram-lhe a alma.
No reino de Nápoles e até na cidade de Tróia, narravam-se coisas maravilhosas a respeito
de Paulo e João Batista. Enalteciam-lhes sobretudo a devoção a Jesus Crucificado e à ss.
Eucaristia. Eis a razão por que d. Cavalieri começou a querer bem àqueles dois
desconhecidos. Ao refletir que os apóstolos da Cruz e do Tabernáculo poderiam fazer
imenso bem a seu povo, escreveu-lhes carta expressa, muito carinhosa, suplicando-lhes
viessem evangelizar-lhe o rebanho.
Antes de aceitar o convite, julgaram dever aconselhar-se com o cardeal Cienfuegos. Este
lhes respondeu em data de primeiro de agosto de 1724:
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“
Aprovo vossa viagem a Tróia., a pedido do bispo, pastor de eminente santidade.
Compartilho o parecer daquele digno prelado, isto é, de que Deus nem sempre patenteia a
sua vontade por inspirações internas, mas, uma vez por outra, fá-la conhecer por vias
extrínsecas. Peço-vos encarecidamente lembrar-vos de mim em vossas orações tão
agradáveis ao Senhor, a quem suplico vos abençoe, cumulando-vos de graças
”
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