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O bispo de Tróia chorou, comovido, ao ver os servos de Deus, e os estreitou de encontro ao
coração. Ordenou que lhes dessem no palácio o necessário como lenitivo dos sofrimentos
passados. E eles recomeçaram logo depois os exercícios de adoração ante o ss. Sacramento,
porquanto este inefável mistério de amor atraí os corações como o ímã atrai o ferro. O santo
prelado, embora enfermo, permanecia também prolongadas horas em íntimos colóquios com
Jesus Hóstia. Os fiéis os acompanhavam. Ouçamos o biógrafo de d. Cavalieri
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“
Teve outrossim o santo bispo a inefável alegria de ver grande número de almas inflamar-se
no amor do adorável Sacramento dos nossos altares
”
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Querendo ampliar os frutos produzidos pelos exemplos eloqüentíssimos de Paulo,
confiou-lhe, como fizeram outros bispos, o ministério da palavra. O obedientíssimo jovem,
acompanhado de piedosa irmandade, pregava, à noite, nas ruas e praças da cidade.
Aquela voz possante a ecoar em meio às trevas, despertava o pecador do profundo letargo
da culpa. O efeito singular produzido por tais prédicas induziu Paulo a introduzi-las nas
Missões.
No palácio episcopal, onde não havia outros adornos que imagens de Jesus Crucificado,
habitavam os dois irmãos como nas pobres celas de Gaeta. Tendo ante os olhos os exemplos
de um bispo que, para comparticipar dos sofrimentos de Jesus Crucificado, se alimentava
ordinariamente de um bocado de pão e algumas frutas, dormia sobre tábuas e tratava
asperamente o corpo, Paulo e João Batista aspiravam por jejuns mais austeros e mais
cruentas macerações. Não lhos permitiram, porém.
Admirado da santidade de d. Cavalieri, franqueou-lhe Paulo o coração, revelando-lhe todos
os refolhos da alma e as inspirações do Céu a respeito da Congregação da SS. Cruz e Paixão
de N. S. Jesus Cristo.
Verdadeiro dardo de luz para o venerável antístite!
Eis, pois, o fundador da Congregação que, por convicção sobrenatural, sabia haver de surgir
na Igreja de Deus! Apoderando-se-lhe, então, da alma os proféticos transportes do velho
Simeão, apertou a Paulo nos braços e entoou o cântico:
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“
Contemplo urna obra que é toda de Deus!... Vereis grandes coisas!... Triunfará por veredas
ocultas e maravilhosas!...
”
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Acrescentou que desejava depor o peso do episcopado e ser tios primeiros a vestir o hábito
da Paixão. A primeira casa deveria fundar-se em sua diocese. Paulo apresentou-lhe as santas
Regras para que apusesse algumas anotações. Leu-as com toda atenção e escreveu como
preâmbulo:
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“
Li com grandíssima consolação as Regras de vossa Congregação; maior foi, porém, meu
contentamento em vê-las observadas. Ocorreu-me ao pensamento que N. Senhor nestes
tempos em que confiou o governo da Igreja a um santo Pontífice e em que deseja restabelecer
o antigo prestigio da hierarquia eclesiástica, queira, talvez, pela vossa conduta e dos vossos
futuros companheiros, justificar sua causa e o zelo ardente de quem lhe faz as vezes na terra
”
.
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Desde então o humilde prelado considerou o nosso santo como seu superior, admirando-lhe
a grande sabedoria. À imitação de Paulo, também ele franqueou ao servo de Deus o
santuário de sua alma, deu-lhe conta da oração e das luzes recebidas do Céu, nada ocultando
do que dizia respeito à sua vida espiritual.
Perfeita a harmonia destas duas almas, como se foram duas liras tangidas pelo Espirito
divino.
Uma dessas piedosas conferências espirituais foi assinalada por extraordinário prodígio.
Estavam a recitar com muita devoção o símbolo dos Apóstolos, quando, ao ajoelhar-se às
palavras: FOI CONCEBIDO POR OBRA DO ESPIRITO SANTO E NASCEU DE MARIA
VIRGEM, ambos subitamente arrebatados em êxtase tiveram a ventura de contemplar o
inefável mistério da Incarnação.
O santo bispo insistiu com Paulo e João Batista para que recebessem as sagradas ordens,
dizendo-lhes ser esta a vontade de Deus, manifestada a uma sua dirigida. Ela dissera:
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“
Terão
numerosos prosélitos para propagar as glórias de Jesus Crucificado
”
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Não fora o estado precário de saúde, teria o snr. bispo ido a Roma expor a Bento XIII a
finalidade do novo Instituto e obter-lhe a aprovação.
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