ANEXO: A FÉ EM SANTO TOMÁS DE AQUINO E EM SÃO JOÃO DA CRUZ


1. INTRODUÇÃO.

Partimos da suposição conclusiva: São João da Cruz considera a fé especialmente em sua dimensão de meio de união do entendimento com Deus. Ao falar da oração infusa ou da experiência mística, raras vezes menciona os sete dons, insistindo mais na fé viva impulsionada pela moção do Espírito Santo, pois é assim que a fé consegue converter-se em meio proporcional de união íntima com Deus. Sob este aspecto, a exposição do Doutor Místico toca veias altíssimas de precisão teológica. Pretendemos, nos itens seguintes, alegar alguns textos do Doutor Angélico que tocam em profundidade essa dimensão da fé infusa. Certamente, Santo Tomás escreveu um tratado completo sobre a fé, enquanto São João da Cruz, como dissemos, somente estuda algumas questões especiais. Contudo, pode-se dizer que existe identidade fundamental na doutrina que um e outro expõem sobre a fé em conjunto ou em geral. Porém aqui vamos localizar algumas passagens tomistas, coincidentes e harmônicas com o que São João da Cruz ensina a propósito da fé como meio de união e como virtude purificadora.