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Também sobre o segundo problema da fé segundo São João da Cruz
- a função purificadora que lhe atribui, por exemplo, em Subida
II 8, e mais particularmente ao descrever a "noite ativa do
espírito" - pode-se encontrar passagens paralelas em Santo
Tomás. Por exemplo, em Suma Teológica (II-II q.7 a.2)
pergunta: "A purificação do coração é efeito da fé?"
Responde:
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"A criatura racional é superior às criaturas caducas e corpóreas.
E por isso torna-se impura quando se submete a elas por amor. De tal
impureza se limpa quando tende a Deus. Esta tendência arranca da
fé, da qual se diz: É necessário que quem quer se aproximar de
Deus, creia primeiro que existe (Heb 11,6). Portanto, o
primeiro princípio da purificação do coração está na fé, e, se
esta já tiver sido aperfeiçoada pela caridade, a purificação que
causa será plena".
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Na resposta à segunda objeção afirma:
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"A fé, ainda informe, exclui certa impureza a ela oposta, que é a
impureza do erro, que tem lugar quando o entendimento humano se adere
desordenadamente a objetos inferiores; isto é, quando pretende julgar
as coisas divinas segundo o modo dos seres sensíveis".
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As últimas palavras nos surpreendem com uma cabal convergência do
pensamento de ambos os doutores. A função da purificação,
atribuída pelo Doutor Angélico à fé, consiste em limpar o
entendimento do erro mediante a adesão à verdade. O mesmo ensina na
questão disputada Sobre a verdade (q.28 a.1,6.ª ).
Porém, tratando-se da purificação que o Doutor Místico atribui
à fé viva, que age pela caridade, achamos no Doutor Angélico uma
passagem de conteúdo análogo ao falar da função do dom do
entendimento. Leia-se Suma Teológica II-II q.8 a.7:
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"Há, de fato, dois tipos de pureza. Uma preliminar e dispositiva
para a visão de Deus, que é a depuração de todos os efeitos
desordenados que caem na vontade, e esta pureza do coração se
alcança pelas virtudes e dons próprios da potência apetitiva. Outra
que é completiva para a visão de Deus: tal é a pureza da mente que
foi depurada dos fantasmas e dos erros para que não receba as coisas
reveladas por Deus na forma de imagens corporais e segundo perversões
heréticas. Esta é pureza que produz o dom do entendimento.
Igualmente, acontece também uma dupla visão de Deus. Uma
perfeita, pela qual se vê a essência divina. Outra imperfeita,
pela qual, se não se chega a ver bem sua essência, ve-se Dele o
que não é, e tanto mais perfeitamente conhecemos a Deus nesta vida
quanto melhor entendemos que ultrapassa tudo o que o entendimento
compreende.
Ambos os modos de visão pertencem ao dom do entendimento. O
primeiro, ao dom do entendimento consumado, como se dará na
Pátria. O segundo, ao dom do entendimento começado, como se dá
no estado de caminho".
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Em resumo, podemos dizer que toda a doutrina de São João da Cruz
sobre a tarefa purgadora da fé, sobre a preparação do entendimento
para a visão e sobre a experiência da não compreensibilidade de Deus
já se encontra em germe nas obras de Santo Tomás de Aquino.
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