A SUBIDA DO MONTE CARMELO.

[12] Cf. BRUNO DE JÉSUS-MARIE, Saint Jean de la Croix (París, Plon, 1929) p. 270 .

[13] Subida II 4,6.

[14] Subida II 26,11.

[15] Subida II 1,1.

[16] Subida II 1,1; cf. ibid., II 29,5.

[17] Subida II 3,6; cf. ibid., II 4,2; II 1,2; II 4,3.

[18] Subida II 2,1.

[19] Subida II (título do livro)

[20] Subida II 8,1.

[21] Subida II 9 (título)

[22] Subida II 9,1.

[23] Subida II 24,8.

[24] Subida II 30,5.

[25] Noite Escura II 2,5.

[26] Subida II 8,2.

[27] Subida II 8,1.

[28] Sobre este ponto pode-se ver VENANCIO CARRO, La naturaleza de la gracia y el realismo místico: La Ciencia Tomista 25 (1922) p. 362-75.

[29] JEAN BARUZI, Saint Jean de la Croix et le problème de l'expérience mystique (Paris 1924).

[30] PHILIPPE CHEVALIER, Saint Jean de la Croix en Sorbonne: La Vie Spirituelle 12 (1925) p. 188-212.

[31] Sobre esta divisão podem ser vistas as monografias que se ocupam do aspecto filosófico da doutrina de São João da Cruz; por exemplo: CRISÓGONO DE JESUS SACRAMENTADO, San Juan de la Cruz. Su obra científica y su obra literaria t.1 (Madrid 1929) p. 79-80; MARCELO DEL NIÑO JESÚS, El tomismo de San Juan de la Cruz (Burgos 1930).

Segundo estes autores, parece que a divisão tripartida das potências superiores da alma foi herdada por São João da Cruz de Juan Bacón, inglês, pertencente à mesma família carmelita; os religiosos carmelitas estavam obrigados a estudar as obras dos mestres domésticos.

Mesmo admitindo isto, caberia perguntar: Como entende o Doutor Místico em seus escritos a divisão das faculdades superiores acima citadas? Os autores não são concordes ao resolver a questão; por um lado vai o Pe. Marcelo, que se esforça em enquadra-lo no sentido tomista; por outro responde o Pe. Crisógono, defendendo que se deve enquadra-lo no pensamento próprio do mestre Juan Bacón.

A nosso ver, o problema está não na doutrina que São João da Cruz ensina ou aceita neste assunto, mas no uso que faz dela.

[32] Recorde-se imediatamente a observação que o Pe. Labourdette faz (o.c., I-II [1937] p. 48 e novamente em III-IV p.200) a propósito de Subida II 16,9: parece que ali o termo "substância" não é usado no sentido escolástico, em oposição a "potência", mas o Doutor Místico o utiliza simplesmente para designar aquela parte da alma na qual se verifica o conhecimento místico. Estaríamos ante um caso típico que demonstra como o sentido da terminologia escolástica vai mudando no decurso da obra sanjoanista, passando da ordem estritamente especulativa para a ordem da experiência mística, que é já mais amplo e impreciso por ser mais vital. Não obstante isto, parece-me que o sentido dos termos é rigorosamente escolástico no presente texto de Subida II 5,2.

[33] Na primeira redação São João da Cruz usou a fórmula escolástica "potência obediencial".

[34] Os estudiosos que se ocupam do aspecto filosófico da doutrina de São João da Cruz se encontram com a pergunta e oferecem respostas divergentes. O Pe. Marcelo do Menino Jesus (o.c., p.27) explica o texto do Santo em sentido tomista (cf. ibid., p.134-54). No lado oposto está o Pe. Crisógono de Jesus Sacramentado (o. c., p.27) , e opina que São João da Cruz segue aqui a doutrina de Aristóteles tal como a interpretou Juan Bacon.

A divergência consiste no modo de explicar o ato de entender, não os atos que o preparam. Segundo o Pe. Crisógono, "para São João da Cruz, a entidade íntima da mesma coisa é, por si mesma e formalmente, inteligível". Portanto, a intelecção consiste não em formar uma espécie inteligível, na qual o entendimento possível descanse ao conseguir captar em sua medida a forma do objeto, senão somente na aplicação da luz intelectual a esta "substância despojada". Ou seja, o objeto enquanto é em si mesmo inteligível. O Pe. Crisógono insiste no texto de Subida II 3,2, onde São João da Cruz apresenta o famoso axioma filosófico: ab obiecto et potentia peritur notitia; isto é, "do objeto presente e da potência nasce na alma a noticia". Para o conhecimento bastaria, portanto, o objeto e a luz intelectual, e se excluiria a necessidade da espécie inteligível. E assim, "despojar" não se refere à abstração - isto é, ao processo usado pelo entendimento agente, que consiste em fazer inteligível o objeto sensível percebido pelos sentidos -, senão à penetração do entendimento no objeto para explorar nele sua própria inteligibilidade e converte-la em ato; essa inteligibilidade está sempre inerente, como possibilidade, no objeto. Os outros atos que preparam a intelecção - como a percepção sensorial, a imagem sensível, etc.- serviriam para provocar a penetração do entendimento no objeto. Por último, o Pe. Crisógono não duvida em afirmar que esta é a teoria própria e especial de São João da Crus a respeito do conhecimento humano.

Que dizer? Os textos sanjoanistas se inclinam a favor da exegese do Pe. Crisógono ou não?

Parece-nos, em primeiro lugar, que os textos sanjoanistas não incorporam a perfeição especulativa que se atribui a eles, de modo que se lhes possa acoplar cabalmente a teoria referida em todos os seus detalhes. Ademais, os mesmos textos induzem a pensar - por exemplo, Subida II 6,5 - que está seguindo a doutrina corrente em sua época sobre a abstração intelectual realizada pelo entendimento agente, que separa da imagem percebida pelos sentidos todo o acidental, isto é, todo o material e sensível, para ficar só com a "substância entendida". Admitido isto, caberia perguntar: Em que sentido usa a expressão "substância entendida"? No sentido da espécie inteligível ou o verbo mental em que acaba a operação cognitiva, ou mais no sentido proposto pelo Pe. Crisógono? Sua autoridade no campo da investigação sanjoanista é grande, e, por acréscimo, dedicou especial atenção ao estudar os aspectos filosóficos da obra do Doutor Místico, coisa que de modo nenhum eu pretendo aqui. Limitar-me-ei, portanto, a deixar a constatação de seu parecer, advertindo, sem dúvida, que o Pe. Marcelo do Menino Jesus com outros muitos é de parecer contrário, e vê nos textos sanjoanistas a teoria da abstração que se atribui ao entendimento agente. Finalmente, São João da Cruz não pretendia explicar em seus escritos uma teoria - própria ou alheia - do conhecimento humano; o que faz é valer-se, de um modo geral e prático, do que aprendeu em seus cursos de filosofia e teologia escoláticas. Seu método é também o que nos serve como norma na presente investigação.

[35] Veja MARCELO DO MENINO JESUS, o.c., p.27 e c.14 p.164-71: "A analogia de ser".

[36] Cf. MARCELO DO MENINO JESUS, o.c., p. 27 e c.8 p. 89-98.

[37] Cf. J.BARUZI, o.c., p. 19.

[38] Cf. PH.CHEVALIER, 1.c.

[39] J. BARUZI, o.c., p. 471: "O esforço promovido por nós além de toda maneira de ser é considerado como devendo nos fazer entrar em Deus. A fé é um abismo".

[40] A este respeito veja Subida II 16,7: "[...] todas estas formas já ditas, sempre em sua apreensão se representam, segundo dissemos, debaixo de algumas maneiras e modos limitados, e a Sabedoria de Deus, com a qual se há de unir o entendimento, não admite modo ou forma, não podendo ser encerrada por algum limite ou inteligência distinta e particular, porque é totalmente pura e simples. E como se requer para unir dois extremos, qual é a alma e a divina Sabedoria, que se estabeleça entre eles um certo meio de semelhança , conclui-se que também a alma deve estar pura e simples, não limitada nem presa a alguma inteligência particular, nem modificada com algum limite de forma, espécie ou imagem. Assim como Deus não pode ser encerrado sob imagem nem forma, nem sob inteligência particular, tampouco a alma, para unir-se a Deus, ha de estar presa sob forma ou inteligência distinta".

[41] Talvez esteja aqui a explicação e aplicação do que o Doutor Místico diz no famoso texto de Subida II 15,4: "faltando o natural à alma enamorada, logo se infunde do divino, natural e sobrenatural, porque não existe o vazio na natureza".

[42] Neste texto principalmente se quis fundamentar, dentro da chamada 'escola carmelita', a hipótese da 'contemplação adquirida'. Porém é um assunto muito marginal a nosso tema. Pode-se encontrar referências particulares na bibliografia.

[43] Cf. PIERRE BLANCHARD, La Christ Jésus dans la spiritualité de Saint Jean de la Croix: La Vie Spiritulle (1945) n.2 p.131-43.

[44] Cf. J. BARUZI, o.c., p.19; ibid., p. 458: "por uma submissão da fé mística à fé dogmática"; ibid., p.456: "e deste modo se combinam a mais grosseira submissão a uma autoridade externa e a íntima elaboração, para a qual não preexistia matéria alguma".